*Por
Vitória Antão
O estudo da neurociência atrelado a
psicologia atua de forma a consolidar, ampliar e somar diferentes perspectivas aos
estudos dos sujeitos em seus mais diversos aspectos psicossociais. Essa relação
confere aos estudos psicológicos um maior status científico. Ademais, as
pesquisas em neurociência, principalmente através do mapeamento cerebral também
podem contribuir no entendimento das diversas interações do homem consigo mesmo
e com o meio (TAKASE, 2003).
O córtex cerebral, uma camada de
substancia cinzenta localizada na área externa do cérebro, contém bilhões de
neurônios organizados em circuitos complexos, os quais desempenham funções
características da espécies humana, chamadas de funções nervosas superiores,
como a linguagem, a memória, planejamento de ações, o raciocínio crítico, dentre
outras, (COSENZA; GUERRA, 2011). Nesse sentido, essas capacidades também são estudadas e
analisadas pela psicologia devido sua importância para o desenvolvimento
psicossocial do indivíduo e para o fomento da sua relação com o mundo ao seu
redor.
Por conseguinte, é possível perceber
a importância de se associar os estudos de psicologia e as pesquisas em
neurociência a fim se obter resultados mais eficientes acerca da teoria e da
aplicação das teorias da aprendizagem, posto que a neurociência permite
entender os aspectos neurológicos da aprendizagem. Dessa forma a partir da
interação entre neurociência e psicologia podemos obter grandes avanços acerca
da compreensão e intervenção no processo de aprendizagem, buscando analisar
seus contextos e especificidades sociais, bem como individuais de cada sujeito.
É
necessário ressaltar que a aprendizagem abrange todos os aspectos da vida do
indivíduo desde de aprendizagem motora, cultural, emocional, cognitiva e
comunicativa. Nessa perspectiva, se estabelece como de fundamental importância
para avanços na questão da aprendizagem o conceito de plasticidade cerebral, o
qual se refere à capacidade que o cérebro possui de se modificar e remapear
suas conexões, através da reação às experiências, aos aprendizados e aos danos
aos quais é exposto, mitigando teorias antigas que consideravam o cérebro imutável
(CHOPRA; TANZI, 2013). O conceito de neuroplasticidade é importante, pois
constitui a base neurobiológica da aprendizagem, na qual a influência do meio
externo diante da exposição a novos desafios e conhecimentos é capaz de causar
modificações no sistema nervoso central (SNC) promovendo seu desenvolvimento
constante (ROTTA; FILHO;
BRIDI, 2016).
Para além, a neurociência também estabelece
uma comunicação intrínseca à inteligência artificial, a qual pode ser estudada,
e discutida a partir dos preceitos da psicologia implicando em uma utilização coerente,
saudável, eficiente e que respeite os parâmetros da justiça e da ética.
Em suma, partindo do princípio da
transdisciplinaridade da neurociência, uma vez que ela reúne diversas áreas do conhecimento
no estudo do cérebro humano, tanto a neurociência quanto a psicologia devem
dialogar, se integrar, convergir, complementar, divergir e somar em diversos
aspectos permitindo uma compreensão cada vez mais complexa e ampla do sujeito e
seus processos de aprendizagem, desenvolvimento, comunicação, socialização,
construção de tecnologias, pensamento entre outros.
Referências
COSENZA, R. M. e GUERRA, L.
Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.
CHOPRA, D.; TANZI, R. E.
Supercérebro: como expandir o poder transformador da sua mente. Tradução de
Bianca Albert, Eliana Rocha, Rosane Albert. Alaúde Editorial, São Paulo, 2013.
ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.;
BRIDI, F. R. S. Neurologia e aprendizagem: abordagem multidisciplinar [recurso
eletrônico]. Porto Alegre: Artmed, 2016.
TAKASE, Emílio. Contribuições
recentes da Neurociência à Psicologia. Revista de Ciências Humanas,
Florianópolis, n. 34, p. 441-458, jan. 2003. ISSN 2178-4582.Disponívelem:<https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/25386/22307>.
Acesso em: 04 jun. 2020.
*É discente do 4.o período do Curso de
Psicologia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Escreveu este texto motivada pela disciplina
Neurociências da referida IES.
Depoimento:
A
disciplina de neurociências marcou a minha trajetória no curso de psicologia
com novas perspectivas, possibilidades, experiências de estudo e prática da psicologia,
especialmente porque entendo a psicologia como uma área abrangente, profunda,
bem como ampla do estudo dos sujeitos e das suas relações com o mundo. Por
conseguinte, o estudo multidisciplinar tem implicações significativas na
compreensão das especificidades e complexidades dessas relações. Nesse sentido
quanto mais for possibilitado o diálogo entre neurociência e psicologia mais
caminhos poderão ser construídos a fim de analisar os processos psicológicos e
sociais, além de auxiliar para que relações intrapessoais e interpessoais sejam
mais harmônicas e saudáveis, respeitando a subjetividade de cada indivíduo e
seus contextos.
Ademais, a disciplina também
propiciou diálogos e associações com a atualidade, a cultura e produção
artística muito importantes, as quais despertaram em mim a visualização da
psicologia nas mais diversas esferas da vida cotidiana. Os relatos da prática
da associação entre neurociência e psicologia em atuação profissional e
pesquisas cientificas também acrescentaram interessantes e relevantes
aprendizagens que são notavelmente enriquecedoras para a formação acadêmica em
Psicologia.
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