quinta-feira, 4 de junho de 2020

A contribuição da neurociência para a psicologia


*Por Vitória Antão



            O estudo da neurociência atrelado a psicologia atua de forma a consolidar, ampliar e somar diferentes perspectivas aos estudos dos sujeitos em seus mais diversos aspectos psicossociais. Essa relação confere aos estudos psicológicos um maior status científico. Ademais, as pesquisas em neurociência, principalmente através do mapeamento cerebral também podem contribuir no entendimento das diversas interações do homem consigo mesmo e com o meio (TAKASE, 2003).


            O córtex cerebral, uma camada de substancia cinzenta localizada na área externa do cérebro, contém bilhões de neurônios organizados em circuitos complexos, os quais desempenham funções características da espécies humana, chamadas de funções nervosas superiores, como a linguagem, a memória, planejamento de ações, o raciocínio crítico, dentre outras, (COSENZA; GUERRA, 2011). Nesse sentido, essas capacidades também são estudadas e analisadas pela psicologia devido sua importância para o desenvolvimento psicossocial do indivíduo e para o fomento da sua relação com o mundo ao seu redor. 


            Por conseguinte, é possível perceber a importância de se associar os estudos de psicologia e as pesquisas em neurociência a fim se obter resultados mais eficientes acerca da teoria e da aplicação das teorias da aprendizagem, posto que a neurociência permite entender os aspectos neurológicos da aprendizagem. Dessa forma a partir da interação entre neurociência e psicologia podemos obter grandes avanços acerca da compreensão e intervenção no processo de aprendizagem, buscando analisar seus contextos e especificidades sociais, bem como individuais de cada sujeito.


            É necessário ressaltar que a aprendizagem abrange todos os aspectos da vida do indivíduo desde de aprendizagem motora, cultural, emocional, cognitiva e comunicativa. Nessa perspectiva, se estabelece como de fundamental importância para avanços na questão da aprendizagem o conceito de plasticidade cerebral, o qual se refere à capacidade que o cérebro possui de se modificar e remapear suas conexões, através da reação às experiências, aos aprendizados e aos danos aos quais é exposto, mitigando teorias antigas que consideravam o cérebro imutável (CHOPRA; TANZI, 2013). O conceito de neuroplasticidade é importante, pois constitui a base neurobiológica da aprendizagem, na qual a influência do meio externo diante da exposição a novos desafios e conhecimentos é capaz de causar modificações no sistema nervoso central (SNC) promovendo seu desenvolvimento constante (ROTTA; FILHO; BRIDI, 2016).


            Para além, a neurociência também estabelece uma comunicação intrínseca à inteligência artificial, a qual pode ser estudada, e discutida a partir dos preceitos da psicologia implicando em uma utilização coerente, saudável, eficiente e que respeite os parâmetros da justiça e da ética.


            Em suma, partindo do princípio da transdisciplinaridade da neurociência, uma vez que ela reúne diversas áreas do conhecimento no estudo do cérebro humano, tanto a neurociência quanto a psicologia devem dialogar, se integrar, convergir, complementar, divergir e somar em diversos aspectos permitindo uma compreensão cada vez mais complexa e ampla do sujeito e seus processos de aprendizagem, desenvolvimento, comunicação, socialização, construção de tecnologias, pensamento entre outros.




Referências

COSENZA, R. M. e GUERRA, L. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

CHOPRA, D.; TANZI, R. E. Supercérebro: como expandir o poder transformador da sua mente. Tradução de Bianca Albert, Eliana Rocha, Rosane Albert. Alaúde Editorial, São Paulo, 2013.

ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. S. Neurologia e aprendizagem: abordagem multidisciplinar [recurso eletrônico]. Porto Alegre: Artmed, 2016.

TAKASE, Emílio. Contribuições recentes da Neurociência à Psicologia. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, n. 34, p. 441-458, jan. 2003. ISSN 2178-4582.Disponívelem:<https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/25386/22307>. Acesso em: 04 jun. 2020.


*É discente do 4.o período do Curso de Psicologia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Escreveu este texto motivada pela disciplina Neurociências da referida IES.



Depoimento:


A disciplina de neurociências marcou a minha trajetória no curso de psicologia com novas perspectivas, possibilidades, experiências de estudo e prática da psicologia, especialmente porque entendo a psicologia como uma área abrangente, profunda, bem como ampla do estudo dos sujeitos e das suas relações com o mundo. Por conseguinte, o estudo multidisciplinar tem implicações significativas na compreensão das especificidades e complexidades dessas relações. Nesse sentido quanto mais for possibilitado o diálogo entre neurociência e psicologia mais caminhos poderão ser construídos a fim de analisar os processos psicológicos e sociais, além de auxiliar para que relações intrapessoais e interpessoais sejam mais harmônicas e saudáveis, respeitando a subjetividade de cada indivíduo e seus contextos.
            Ademais, a disciplina também propiciou diálogos e associações com a atualidade, a cultura e produção artística muito importantes, as quais despertaram em mim a visualização da psicologia nas mais diversas esferas da vida cotidiana. Os relatos da prática da associação entre neurociência e psicologia em atuação profissional e pesquisas cientificas também acrescentaram interessantes e relevantes aprendizagens que são notavelmente enriquecedoras para a formação acadêmica em Psicologia.



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