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Nossa proposta é favorecer um diálogo entre psicologia e neurociências compreendendo o objeto de estudo de cada disciplina, destacando o processo de interseção e das possibilidades e limites dessas áreas de conhecimento. Terapias cognitivas, neurociência cognitiva, filosofia da mente, hipnose e meditação terapêuticas, ei-nos aqui!
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Entrevista sobre TREC com Psic. Eleonardo Rodrigues
Por *Patrícia Lustosa e **Eleonardo Rodrigues
Linguagem - Créditos: www.bing.com/images
Apresentamos uma resenha crítica de Jacques Mehler “Psicologia e Linguística: o impacto de Chomsky e Piaget, originalmente publicado em 1978. Em princípio, apresentamos um esboço das vastas perspectivas teóricas de Chomsky e Piaget, para concluir com uma análise conjunta do texto.
O
estudo sobre a compreensão da linguagem é uma temática fascinante. Sabemos das
várias formas de linguagem, seja falada, gestual ou escrita e que todas as
espécies vivas trocam informações necessárias à sua sobrevivência. Os animais
não-humanos emitem mensagens inteligíveis para sua e outras espécies, como
forma de comunicação, bem observado em comportamentos de demarcar território de alguns animais, e nas danças das aves no
processo de acasalamento etc. Já a linguagem humana, a língua em forma de fala,
é um meio organizado de combinação de palavras para se comunicar, é uma
atividade extraordinária historicamente registrada há milhares de anos.
Aproximadamente, cerca de 60.000 anos usamos a linguagem, mas não se sabe
quando nossos ancestrais começaram a falar.
Chomsky
(1985) revolucionou o cenário linguístico e psicolinguístico, em termos
epistemológicos e metodológicos. Seu novo olhar sobre o estudo da sintaxe,
sugeriu que, para compreendê-la, precisamos ir além das inter-relações dos
elementos constituintes das frases, mas também compreender as relações
sintáticas entre elas. Criando assim, o conceito de gramática transformacional
com estruturas de níveis profundo e superficial, envolvendo regras
transformacionais que orientam as formas como a proposição básica pode ser
organizada em uma frase. Ele fez
críticas incisivas à obra skinneriana
Verbal Behavior (1957), defendendo assim sua posição antibehaviorista e
antiempirista. A sua obra Syntatic
Structures (1957), resumo da tese
de seu doutorado, se concretizaria
como um marco na perspectiva linguística hodierna. Chomsky propõe que se deve
priorizar a compreensão da natureza do sistema em que o falante possui
internamente, produzindo dessa forma um número de horizonte infinito de frases
da língua.
A
capacidade linguística inata do indivíduo conecta-se, cognitivamente, com a do
ser humano em desenvolvimento. Dessa forma, Chomsky fundamentou a gramática
universal, entendida como um núcleo fixo, ou seja, uma origem racional da
linguagem, necessária à elaboração de todas as línguas. Os componentes básicos
dessa gramática universal estariam geneticamente programados no indivíduo. Essa
bagagem universal seria uma estrutura profunda presente em todos os indivíduos.
Heuristicamente, esses dados chegariam à cognição de cada pessoa, aparecendo
assim, na superfície das sentenças.
A
proposta da gramática universal iria de encontro com a perspectiva
behaviorista, tanto no sentido de que, para os behavioristas, caberia apenas
descrever o comportamento passível de observação e no sentido de que a
linguagem humana segundo tal sistema de pensamento não deveria ser vista como
mais um tipo de comportamento. Chomsky confronta a tese behaviorista de uma
linguagem tida como um “comportamento modelado”, independente da pessoa (SINCLAIR-CABRAL,
1991).
Muitas são as críticas quanto a essa visão de Chomsky acerca da perspectiva behaviorista, em especial a skinneriana. Os comportamentalistas defendem-se afirmando que essa visão de “tabula rasa” é ultrapassada, ao pensar na noção de metacontingências que envolvem toda a construção do indivíduo em termos comportamentais. De acordo com a teoria do condicionamento operante de Skinner, as crianças são reforçadas para repetir corretamente o que os pais falam. No entanto, o aprendizado de idiomas, necessariamente não se limita ao condicionamento operante, pois estudos revelam que os pais não corrigem os erros gramaticais, nem repetem constantemente o enredo gramatical daquele idioma, quando muito, corrigem crianças pequenas se o conteúdo do que elas dizem está errado. Sabemos que os processos de condicionamento, reforço e imitação são construtos teóricos muito bem fundamentados cientificamente e aplicáveis numa grande gama de comportamentos e têm um papel importante na compreensão da aprendizagem, mas compreendemos que eles não correspondem a muitos aspectos do desenvolvimento da linguagem contemporânea. Não cabe nesse artigo um aprofundamento dessa questão. Além de que os cognitivistas contemporâneos não preconizam a noção de tábula rasa; hoje sabemos a importância da compreensão do desenvolvimento da linguagem a partir da evolução por seleção natural como observados em outros sistemas biológicos especializados e, de acordo com um dos princípios cognitivistas, os seres humanos, possuem tendências inatas para desenvolver certas estruturas, e a partir de seu desenvolvimento neurosociocognitivo passará a atribuir significados à realidade reagindo intencionalmente a ela (PINKER & BLOOM, 1990; RODRIGUES, 2018).
Outra
contribuição de Chomsky foi de sugerir que o cérebro humano filogeneticamente
seria equipado com um Dispositivo de Aquisição da Linguagem (LAD), processo que facilita o aprendizado da linguagem e que
teria como consequência o favorecimento a compreensão da gramática da língua em
desenvolvimento. Essa ideia é reforçada na observação universal de que todas as
crianças, independentes da cultura ou idioma, perecem passar pela mesma
sequência de desenvolvimento de linguagem. Mas são feitas críticas ao sistema
de pensamento chomskyano, alguns psicólogos cognitivos questionam a ênfase dada
na sintaxe (forma) em detrimento da semântica (significado) (STERNBERG &
STERNBERG, 2017).
A
outra vertente, que problematizamos, refere-se a epistemologia piagetiana. Faz-se
necessário tecer um comentário do enlace da estrutura de desenvolvimento latente no sujeito tanto quanto da importância do meio social que se faz para o indivíduo.
Piaget elucidou que a inteligência humana se desenvolve no indivíduo em função
de interações sociais, interações estas muitas vezes negligenciadas. Apesar de
não ter se detido arduamente nessa questão, suas contribuições foram, mesmo
assim, de extrema importância.
Dessa
forma, pensar a aquisição da linguagem é pensar um processo social. No processo
de aquisição da linguagem, pensaríamos assim numa socialização efetiva da
inteligência, Piaget ao pensar o desenvolvimento cognitivo, elabora
estágios para uma melhor sistematização de suas propostas (TAILLE, 1992).
No
estágio sensório-motor (0-2 anos), Piaget não fala numa real socialização da
inteligência. Ao contrário, essa fase é especialmente individual.
O
estágio pré-operatório (2-7 anos) é onde se pode pensar num início para a
aquisição dessa linguagem, mas ainda limitada no que diz respeito a
possibilidade da criança de estabelecer trocas intelectuais equilibradas,
principalmente pelo fato de a criança pequena ter extrema dificuldade de se
colocar no ponto de vista do outro, de manter definições e de atingir a uma
escala comum de referências. Essas três características é o que Piaget
denominou de pensamento egocêntrico.
É
a partir do estágio operatório-concreto (7-8 e 11-12 anos) que as trocas
intelectuais começarão a se concretizar.
No
estágio das operações formais (12 anos) irá então se concretizar o raciocínio
lógico. Neste estágio, o indivíduo apresenta condições de elaborar um saber
mais adaptado à realidade. Hoje, devido a superestimação vemos esse fenômeno em
crianças de 10 anos. Não raro, as escolas particulares têm antecipado conteúdo
do ano letivo seguinte forçando algumas habilidades com vantagens e prejuízos!
Piaget
abordou o estudo da inteligência antes da linguagem, pensando essa inteligência
como forma assumida pela adaptação biológica ao nível da espécie. Nos estágios,
Piaget pensou que tais processos diriam respeito a uma busca constante de
equilíbrio. Essa equilibração, afirma Piaget, jamais será alcançada, pois o
mundo externo sempre apresentará situações inusitadas que desestruturam o saber
até então elaborado. Trata de uma espiral de desenvolvimento que envolve
arquivos psicogenéticos, potência do meio de estímulo ou negligência deste
meio, envergando diferentes processos de assimilação e acomodação, em busca de
um aprendizado almejado perene. Em relação a aquisição da linguagem, a
aprendizagem desempenha um papel muito importante nessa tarefa. Crianças que
nascem em lares com falantes em português brasileiro aprendem português
brasileiro, enquanto as crianças de lares com falantes piaiuês aprendem
português brasileiro piauiês.
Em
seu texto, Jacques Mehler afirma que duas grandes correntes influenciaram a
psicolinguística. De um lado, uma perspectiva onde os mecanismos de elocução
são autônomos em relação à gramática; de outro, a psicolinguística que recebeu
críticas do cognitivismo. Estes acreditam na impossibilidade de se descobrir a
maneira de utilização das regularidades linguísticas sem levar em consideração
fatores temporais e sequenciais das frases entendidas.
Foram
tecidas críticas à perspectiva piagetiana em relação ao estudo e
desenvolvimentos dos bebês. O texto de
Jacques Mehler provocou-nos uma inquietação sobre a perspectiva piagetiana.
Pensar que Piaget estudou crianças novas colocando-as na posição de tabula rasa
é consequência de um estudo pouco detido na pesquisa piagetiana do
desenvolvimento cognitivo. Em um trecho do texto vejo sérias colocações
equivocadas:
As
descobertas piagetianas ainda resistirão certamente por largo tempo e deverão
ser levadas em conta em toda e qualquer teoria do desenvolvimento que procure
explicar de maneira dinâmica o desenvolvimento e as aquisições. Compreendo, por
minha parte, a teoria piagetiana como uma série de modelos estáticos que são
progressiva e hierarquicamente encadeados entre si, à medida que as crianças
atingem a idade de a, b. n (n+1) anos. Mas esta teoria nunca explica o que é
que faz passar uma criança de um estágio ao seguinte (MEHLER, 1987, p.428).
Pensar
que Piaget não se debruça no processo a que a criança passa ao atravessar os
estágios (lembrando sempre que as idades referentes nos estágios podem oscilar,
ele não afirma ser cristalizado) é fruto de uma leitura ingênua de sua obra
(DOLLE, 1995).
Mehler
nos fala, ainda, sobre um confronto de Chomsky e Piaget em Royaumont. Nesse
encontro o autor afirma a convergência de ambos no que diz respeito a uma
crítica ao positivismo e ao empirismo, mas ressalta que se trata de um
antiempirismo peculiar em cada um deles. Em Piaget, este antiempirismo estaria
relacionado com o fato de que “epistemologia em conformidade com os dados da
psicogênese não poderia ser empírica nem pré-formista, mas não pode deixar de
ser um construtivismo, com a elaboração contínua de operações e de novas
estruturas.” (MEHLER, 1987, p.430).
Chomsky, por sua parte, afirma que uma faculdade de linguagem, geneticamente
determinada e constituindo um dos componentes do pensamento humano, particulariza
uma certa classe de gramáticas humanamente acessíveis.
No entanto, é importante salientar
que a neurociência tem algumas contribuições nas teorias propostas: O
fundamento neuronal da linguagem nos mostra que as áreas do cérebro que mediam
a linguagem ficam no hemisfério esquerdo, para a maioria das pessoas, sendo
fundamental para a fala e incluem a área de Broca e Wernicke. Danos a uma
dessas áreas – ou a alguma área intermediária – causam um tipo específico de
afasia (um colapso da linguagem). Por exemplo,
um paciente com afasia de Broca entende as perguntas, mas sua fala não é
fluente; já na afasia de Wernike o discurso é fluente, mas é desprovido de
conteúdo. Já o lado direito do cérebro, para a maioria dos humanos, contribui
de forma limitada para as funções linguísticas (STERNBERG & STERNBERG,
2017).
Outra
perigosa afirmação de Mehler envolve a questão do inatismo em Chomsky e Piaget.
O primeiro, ao nos falar da gramática universal, propõe-nos que um sistema
pré-programado estaria internalizado no indivíduo e, dessa forma, ele seria
capaz de compreender e construir infinitas sentenças, mesmo se nunca as tivesse
escutado. Ao se referir a Piaget, o autor nos passa a impressão de que a
perspectiva piagetiana é radical no que concerne a inexistência de uma
estrutura inata (esse talvez seja o maior erro para compreensão da
epistemologia genética). Piaget, como se sabe, nos fala de potencialidades que
o indivíduo possui e que irão influenciar no processo de construção de sua
cognição.
A
proposta do autor de fazer um impacto de Chomsky e Piaget deve ser analisada
com cuidado. Uma leitura prévia dos dois pode ser um bom meio de pensar de
forma mais crítica de dois titãs do sistema de pensamento seja no campo da
linguagem e do desenvolvimento humano.
Atualmente de forma resumida, dentro de uma perspectiva cientifica, as teses mais aceitas sobre a linguagem são: em
relação as suas propriedades, a linguagem tem dois aspectos, produção e
compreensão. Na produção da linguagem, começamos com um pensamento e de alguma
forma o traduzimos em um período, terminando com sons que expressam o período. Em
relação a compreensão, comumente começamos ouvindo os sons, depois acrescentamos
significados aos mesmos em forma de palavras e na sequência acrescentamos significados
à combinação de palavras em forma de períodos (NOLEN-HOEKSEMA et
al., 2018).
Já em relação aos processos de
aprendizagem, quando as crianças começam a falar, inicialmente aprendem
palavras que nomeiam conceitos familiares em seu contexto, depois passam para
os períodos. Iniciam com orações de uma palavra, progridem para a oração telegráfica
de duas palavras e, então, desenvolvem seus sintagmas nominais e verbais. Em certas
condições da fase de desenvolvimento, as crianças aprendem a
linguagem em parte por testar hipóteses, utilizando memórias implícitas
favorecidas pelo automatismo do funcionamento cerebral (IDEM, 2018).
Características
inatas também desempenham um papel importante na aquisição da linguagem. Várias
descobertas apoiam essa afirmação: Primeiro, todas as crianças em todas as
culturas parecem passar pelos mesmos estágios na obtenção da linguagem.
Segundo, como em outros comportamentos incondicionados, algumas habilidades linguísticas
são aprendidas apenas durante um período crítico do desenvolvimento. Isso
explica em parte, por que é relativamente difícil aprender um idioma durante
estágios posteriores da vida de acordo com as teorias que distinguem bilinguismo
simultâneo, ou seja, aprender duas línguas desde o nascimento e bilinguismo
sequencial, aprender uma língua em seguida outra (STERNBERG &
STERNBERG, 2017; NOLEN-HOEKSEMA et
al., 2018).
Contudo,
a interface dos aspectos biológicos, ambientais, cognitivos e políticos são
indispensáveis para uma compreensão da fascinante e complexa linguagem humana
em desenvolvimento. Tomemos como exemplo, a prevalência oficial da língua
inglês falada na maior parte do planeta atualmente. No entanto, essa condição
não é regra permanente no tempo e espaço, caso haja alteração de poder de outra
nação que não a atual americana, fato historicamente observado com a supremacia
do latim de quando o Império Romano detinha o poder.
*Patrícia Rocha Lustosa
Estágio Pós-Doutoral (Ano Sabático) na Faculdade de Letras da
Universidade do Porto (FLUP U. PORTO, 2017). Professora Adjunta II do Curso de
Psicologia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Doutora em Sociologia
pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2013). Mestrado em Psicologia
pela Universidade Federal do Ceará (UFC, 2005). Graduação em Psicologia pela
Universidade Federal do Ceará (UFC, 2002).
**Eleonardo Rodrigues
Professor do Curso de Psicologia da UESPI. Coordenador do Laboratório de
Neurociência Cognitiva da UESPI. Doutorando e Mestre em Medicina e Saúde pela
UFBA.
Referências
Bibliográficas
DOLLE, Jean-Marie. História e Método In: Para Compreender Jean Piaget. Rio de Janeiro: Guanabara, 1995.
MEHLER,
Jacques. Psicologia e Psicolinguística:
o impacto de Chomsky e de Piaget. In: M. PIATTELLI-PALMARINI (Org.),
Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: Debate de Jean Piaget e Noam
Chomsky com outros autores. Lisboa: Edições 70, 1987.
NOLEN-HOEKSEMA, Susan.
et al. Introdução à psicologia de Atkinson & Hilgard. São Paulo:
Cengage, 2018.
PIATELLI-PALMARINI,
Massimo (Org.). Teorias da linguagem, teorias
da aprendizagem: o debate entre Jean Piaget e Noam Chomsky. [Trad.: Álvaro
Cabral]. São Paulo: Cultrix; São Paulo: Edusp, 1982. (Théories du langage,
théories de l’apprentissage: le débat entre Jean Piaget et Noam Chomsky).
Original publicado em 1978.
PINKER, Steven; BLOOM, Paul. Natural language and natural selection. Behavioral and brain sciences, v. 13, n. 4, p. 707-727, 1990.
RODRIGUES, Eleonardo P.
(organizador) (2018). Psicologia e psicoterapia cognitivo-comportamentais:
filosofia, intervenção e história. Curitiba: CRV.
SAUSSURE,
JAKOBSON, HJELMSLEV & CHOMSKY. Vida e Obra. In: Textos Selecionados São Paulo: Abril Cultural, 1985. (coleção Os
Pensadores).
SINCLAIR-CABRAL,
L. A revolução Chomskyana in: Introdução
à Psicolinguística. São Paulo: Ática, 1991.
STERNBERG, Robert & STERNBERG, Karin Psicologia
Cognitiva. 7. Ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017.
TAILLE,
Y. de La. O lugar da Interação Social na Concepção de Jean Piaget. In: TAILLE,
Y. de La; OLIVEIRA, M. & DANTAS, H.
Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo:
Summus, 1992.
Por
Eleonardo Rodrigues
“Quanta do latim, plural de quantum, quando quase não há quantidade de se medir, qualidade de se expressar, fragmento infinitésimo quase que apenas mental”(Música QUANTA de Gilberto Gil).
A teoria quântica descreve o comportamento de partículas subatômicas em termos de distribuições de probabilidade, sendo que a observação real de partículas individuais ocorre aleatoriamente dentro dessa(s) realidade(s).
Devido a nova e
importante perspectiva de paradigma em relação à mecânica clássica que se
baseia no determinismo material, os fenômenos estudados pela mecânica quântica
despertaram atenção de estudiosos e do público em geral, devido seu olhar
probabilístico quase esotérico.
Há muitas distorções
acerca dos conceitos de: salto quântico, princípio da incerta, dualidade de
onda partícula, emaranhamento quântico. Muitas vezes, usados como estratégia de
marketing para vender algum curso milagroso e transformador que geralmente
sensibiliza pessoas sensíveis em algum nível de sofrimento. Ah...quem não deseja
ir pra Shangri-Lá!?
O mercado neoliberal é
bacana e dá espaço a criatividade para maquiar conceitos em produtos rentáveis.
Por que será que os físicos acadêmicos que trabalham e pesquisam mecânica
quântica não são ricaços e não vivem apregoando tais afirmações? Por que seus
canais na internet com informações precisas e de não fake news não bombam de
seguidores?
Enquanto, pesquisador em
psicologia, aberto para os estudos inter e transdisciplinares, tenho prudência
em procurar fazer o a-b-c de forma coerente no que compete a minha área
de atuação, para não fazer o desserviço de praticar o que não me cabe de forma
equivocada o ofício de outrem. Pau que nasce torto, não necessariamente precisa
morrer torto, flexibilidade cognitiva é salutar, mas não significa abandonar-se
numa fé cega, idiossincrásica e irracional diametralmente oposta às crenças de
minhas origens.
A física quântica não
altera de forma mágica a realidade ao meu redor a partir de meu pensamento; não é autoajuda, nem panaceia, pois muitos conceitos requerem estudos
árduos de profissionais da área; facilita a explicação de
alguns fenômenos “sobrenaturais”. Ainda, na nossa vida cotidiana é em grande
parte, a física clássica que impera. No entanto, do ponto de vista quântico, já
usamos: computadores, tv 4k, smartphones, GPS, lâmpadas de LED etc. Apesar de
que encontramos no mercado tendências da geração good vibe que comercializam:
água quântica, coach quântico, terapia quântica etc. Faz parte do processo de
transição paradigmático esse quiprocó.
Continuo a afirmar: a
ciência é humilde e sua metodologia está sempre disposta a ser usada para
confirmar ou infirmar pressupostos teóricos. Leiamos estudos sérios de pessoas
da referida área que desejam contribuir para um mundo melhor, mas sabem que a
verdadeira magia se encontra na honestidade intelectual.
#canal no youtube de física do prof. Daniel #físico marcelo greiser #física quântica #psicologia #psicoterapia
por Eleonardo Rodrigues
Há
cerca de 2.000 anos nascia Jesus,
Seu
nascimento cumpria uma promessa.
Para
celebrar e registrar três reis magos
Levaram
incenso, ouro e mirra.
Esse
evento marcou e marca profundamente várias gerações.
O
propósito de sua vinda e vida
Restaurou
a esperança em forma de fé em várias humanidades.
Hoje,
o Natal se renova...
A
atual humanidade de 2020 celebra seu Natal.
Seja
cristão, muçulmano, budista ou ateísta.
Os
olhos desses crentes brilham,
E,
nesse reflexo, se ver o quarto rei magro em silhueta feminina,
Carregando
em suas mãos uma linda vacina.
Que
lindo presente Jesus nos dá,
Teus
devotos se quedam humildemente.
E
a ti, rendem honra e glória!
Pois,
dessa vez, nos presentear-se em forma de milagre da ciência.
Por Mayara Carneiro*
A análise dos sistemas de Inteligência Artificial deve seguir um ponto de vista jurídico, sociológico e tecnológico. Como afirma Lawrence Lessig em “The Law of the Horse: what cyberlaw might teach”, o debate completo entre direito e tecnologia não pode se restringir a essas duas vertentes, mas deve abranger outras forças regulatórias, em um cenário em que as leis, as normas sociais, os mercados e a arquitetura estariam presentes.
Questiona-se, a partir do ponto de vista
jurídico, quem seria o responsável caso um sistema inteligente provoque um dano
que não era previsível. Seria o programador que a criou? A empresa que lançou o
software? O consumidor que comprou e interage com a máquina em uma relação de
aprendizado? Será que o Direito está preparado para lidar com máquinas
inteligentes, autônomas e imprevisíveis?
Outro ponto a ser levado em consideração é
o tipo de Inteligência Artificial que se pretende tratar. Se Inteligência
Artificial Forte, que tem consciência sobre si e sobre seus atos, que entende,
é verdadeiramente inteligente e pode chegar à singularidade; ou se Inteligência
Artificial Fraca, que age como se inteligente fosse, que não entende e não tem
consciência sobre si e sobre seus atos – que é a Inteligência que se tem no
estado da arte atual.
De fato, a Inteligência Artificial está em
todos os lugares (atuando, principalmente, junto ao processo de ressignificação
do ser humano através da ciborguização que acontece na interação homem-máquina,
como previsto por Donna Haraway em “A Cyborg Manifesto: Science, Technology,
and Socialist Feminism in the Late 20th Century”, como em um celular, que
atua como a extensão do ser humano, em que nele estão contidas todas as
informações de seu dono. Ao mesmo tempo, tem-se Inteligências Artificiais
capazes de ganhar cidadanias e direitos, como o exemplo clássico da Sophia da Hanson
Robotics, que possui mais direitos do que as mulheres da Arábia Saudita,
porque pode se locomover livremente sem a presença de alguém do sexo oposto,
além de não precisar ter seu rosto e corpo cobertos.
Para entender a real importância e
influência dos sistemas de Inteligência Artificial ao longo da Sociedade da
Informação e sua capacidade de influência nas relações humanas, faz-se uso do
que ensina o filósofo francês Bruno Latour, qual seja o surgimento de novos
atuantes (actants) na esfera pública e a e a quebra da categorização
binária humana e não humana. Consequentemente, passa-se a atribuir
características humanas a seres não humanos.
Ao mesmo tempo, do ponto de vista
sociológico, tem-se algoritmos que se utilizam de proxies (variáveis não
relevantes) de raça e de classe que acabam maximizando a discriminação de
minorias tradicionalmente discriminadas pela sociedade, como o algoritmo da
Northpointe utilizado para prever a reincidência criminal e a periculosidade no
estado da Flórida, Estados Unidos.
Esse algoritmo foi exposto pela ProPublica
porque não fazia perguntas diretas de raça e classe, mas perguntas como “existe
muito crime no seu bairro?”, o que representa um proxy de classe e de
raça, e “já foi suspenso ou expulso da escola?”, que é um proxy de raça,
considerando que em uma pesquisa rápida no Google confirma-se que a maioria das
crianças que são suspensas ou expulsas nas escolas norte-americanas são pretas.
Os resultados para essas perguntas são tão óbvios quanto se parecem: as pessoas
pretas e pobres recebiam avaliações de riscos maiores, sendo consideradas mais
propícias a reincidência criminal e consideradas com maior periculosidade, o
que não se confirmou. Isso gerou um grave problema.
O processo algorítmico, reconhecido por
sua “dureza”, não é influenciado por processos externos ao seu código. Mas o
ser humano passa a estar presente em várias partes do processo ao fornecer os
bancos de dados e as bases de treinamentos, que, por muitas vezes, são
desequilibrados. Consequentemente, o algoritmo apresenta resultados
desequilibrados. Ressalta-se: O algoritmo é (sempre) neutro, contudo,
eventualmente pode apresentar um resultado enviesado por ser um reflexo dos
seus bancos de dados e das bases de treinamento, fornecidos pelo ser humano.
Neste sentido, Cathy O’Neil caracteriza
esses algoritmos como sendo generalizados (widespread) por serem capazes
de atingir milhares de pessoas de forma generalizada, sendo capazes de decidir
sobre critérios de reincidência, periculosidade, empregabilidade, empréstimo etc.;
misteriosos (mysterious) por agirem secretamente, as pessoas que têm
suas vidas decididas por algoritmos, dificilmente sabem que isso ocorre, não se
sabe ao certo quais critérios são utilizados; e destrutivos (destructive)
pela capacidade de destruir a vida das pessoas afetadas de forma injusta.
Por esse motivo, fala-se em ética de
Inteligência Artificial (AI Ethics) aliada a princípios de governança
algorítmica (como a explicabilidade), em uma tentativa de fazer com que o
algoritmo traga resultados mais justos.
Outro ponto a ser discutido, no que tange
a análise tecnológica, é a autonomia da Inteligência Artificial. Trata-se de
uma autonomia meramente tecnológica, resultante de uma racionalidade
previamente programada. Isso significa dizer que o sistema inteligente só tem
autonomia porque o humano assim o quis. O que implica dizer que todas as ações
da máquina sempre podem ser ligadas a um ser humano ou a um grupo econômico.
Quando o termo “Inteligência Artificial”
foi cunhado, em 1956, Alan Turing já se questionava em 1950 sobre a
possibilidade de as máquinas pensarem (can machine think?).
Eventualmente deixou essa pergunta de lado para querer saber o quão bem poderia
uma máquina imitar o cérebro humano. Por isso teceu o argumento de várias
inaptidões (Arguments from Various Disabilities) em que afirmava que uma
máquina seria capaz de fazer inúmeras coisas mencionadas, mas nunca poderá
fazer X. Por X, determinou: ser amável, bonito, amigável, senso de humor etc.,
ou seja, características mais subjetivas, ligadas ao ser humano per se.
Tal entendimento vai ao encontro ao que o jurista italiano Ugo Pagallo chamou
de autonomia artificial, no qual as máquinas inteligentes apenas emulam
sentimentos e emoções, como atores em uma peça de teatro, não sendo algo
genuíno.
No mesmo sentido, John Searle mostra no Chinese
Room Argument que do mesmo jeito que uma simulação de incêndio não ateia
fogo na vizinhança, uma simulação de entendimento da máquina não faz com que
ela entenda verdadeiramente. A máquina só ficou incrivelmente boa em manipular
símbolos formais não interpretados.
A responsabilidade civil a ser empregada
dependerá do tipo de Inteligência Artificial empregada, visto que o dano que um
carro autônomo causa é físico, enquanto o dano causado por um algoritmo com
resultado enviesado fere os direitos da personalidade do indivíduo. Mas
acredita-se em uma Inteligência Artificial desenvolvida frente à ética
deontológica, que, todavia, não vai focar na intenção do sistema (já que ele
não possui intenção), mas no que se pretendia fazer. Todavia, mesmo com valores
éticos, o sistema não tem raciocínio prático, julgamento, autorreflexão,
deliberação, que são características privativas do ser humano. Por isso a
necessidade do homem por trás do sistema autônomo e inteligente.
Assim, a Inteligência Artificial
verdadeiramente ética e justa deve ser construída segundo princípios de
segurança algorítmica, além de ser ética, segura e deve estar aliada a
princípios de privacidade by design, isto é, desde sua concepção, como
sugere Eduardo Magrani. Dessa forma, o sistema estará alinhado com um princípio
de prevenção de riscos favorável à justiça e ao bem estar daqueles que vivem a
Sociedade da Informação.
Sobre
a autora:
* Mestre em
Direito da Sociedade da Informação, membro do Grupo de Pesquisa “Família,
Grupos Sociais e Informação”, ambos no Centro Universitário das Faculdades
Metropolitanas Unidas – SP. Pós-graduada em Direito Civil e Processo Civil no
Centro Universitário UniFacid Wyden (Teresina - PI). Advogada. Vice-presidente
da Comissão de Direito Digital da OAB/PI. E-mail: mayaracarneir@gmail.com
CV:
http://lattes.cnpq.br/3123942841476426. https://orcid.org/0000-0003-1139-4597.
IG: @mayaracarneiroadv
REFERÊNCIAS
LATOUR,
Bruno. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos
científicos. Tradução: Gilson César Cardoso de Sousa. Bauru: EDUSC, 2001.
MAGRANI, Eduardo. Entre dados e robôs: ética e privacidade na era da hiperconectividade. 2. ed. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2019.
O'NEIL, Cathy. Weapons of math destruction: how Big Data increases inequality and threatens democracy. New York: Crown, 2016.
PAGALLO, Ugo. The laws of robots: crimes, contracts, and torts. Dordrecht: Springer, 2013.
TURING, Alan. Computing Machinery and Intelligence. Oxford University Press, v. 59, n. 236, p. 433-460 out. 1950.
Hoje em dia, há um boom da imagem da neuroimagem, tanto na literatura técnica quanto na imprensa leiga, na qualidade de “fotografia da mente”. Face a este desenvolvimento emergente e vertiginoso, pesquisadores deste segmento devem se questionar sobre os usos e abusos dos recursos da neuroimagem. Destacam-se atualmente as seguintes tecnologias de imagem: TC (Tomografia Computadorizada), fMRI (Imagem de Ressonância Magnética Funcional), PETscan (Tomografia por Emissão de Pósitrons) e SPECT (Tomografia por Emissão de Fóton Único). Peres (2009) exemplifica que, até o ano de 2007, muitos estudos envolveram o método PET com uso em 48%, o SPECT com 33% e fMRI em 19%, que vem crescendo significativamente por se tratar de um método não invasivo e não usar radiação ionizante comum na energia nuclear. Por isto, não é correto usar o termo ressonância magnética nuclear, apesar de algumas pessoas ainda insistirem nessa nomenclatura.
A Tomografia
Computadorizada é uma técnica que se baseia em emissão de Raios-X. Esse aparelho
consiste em uma fonte de raios-X que é acionada, ao mesmo tempo em que realiza
um movimento circular ao redor da cabeça do paciente, emitindo um feixe de
raios-X em forma de leque. Já as imagens de ressonância magnética têm maior
capacidade de demonstrar diferentes estruturas no cérebro e facilita
visualizações de mínimas alterações na maioria das doenças. Também possibilita
avaliar estruturas como hipocampos, núcleos da base e cerebelo – que é de
difícil avaliação por meio da TC (AMARO
JÚNIOR E YAMASHITA, 2001).
A técnica de fMRI é
semelhante a um exame clínico com MRI, diferenciando a particularidade de se
obter informações relativas à determinada função cerebral. Por exemplo, que
partes do cérebro são mais ativas durante estimulação cognitiva do tipo escutar
uma música, concentrar-se em uma imagem agradável ou não, relembrar memórias de
longo prazo. Tem como vantagens alta resolução espacial e temporal; permite a
correlação da atividade neural com a anatomia subjacente; diversos paradigmas
podem ser utilizados com um simples exame e permite vários ensaios em um
intervalo curto de tempo, favorecendo a avaliação estrutural de transtornos
psiquiátricos. Essa técnica baseia-se no fato de que a atividade cerebral
requer energia, e a glicose é a forma de energia processada pelo cérebro.
Quando observamos qual área cerebral está consumindo maior quantidade de
glicose, então, pode-se inferir
onde o cérebro está funcionando mais energicamente.
Como descrito por Costa, Oliveira e Bressan (2001), os
métodos PETscan e SPECT, baseiam-se no princípio básico de que a instrumentação
utilizada é apenas receptora de informação, ou seja, para se obter as imagens,
é necessário administrar aos pacientes um radiofármaco marcado (um contraste,
uma forma de glicose radioativa leve), seja um emissor de pósitron para PET,
seja um emissor de fóton simples no caso do SPECT. Sabe-se que a eficácia de
detecção do sinal radioativo é maior no PET do que no SPECT, mesmo assim seu
uso é limitado, pois os radioisótopos de emissão de pósitrons têm vida
radioativa curta de minutos, no máximo cerca de duas horas para o flumazenil,
tornando um instrumento oneroso e restrito às grandes universidades públicas e
clínicas privadas, favorecendo ao SPECT uma alternativa mais viável.
No que pese a necessidade de ultrapassar problemas
significativos com tais metodologias, ainda são bastante necessários nas
seguintes situações clínicas: diagnóstico diferencial das demências, incluindo
a depressão dos idosos; avaliação pré-cirúrgica de doentes com epilepsia focal;
confirmação de morte cerebral; avaliação das sequelas neuropsiquiátricas após
traumatismos encefálicos; diagnóstico diferencial entre doença de Parkinson e
parkinsionismo induzido por fármacos. Além de estudar uma gama maior de funções
cerebrais principalmente em relação à neurotransmissão e os neuroreceptores do
que os exames de ressonância magnética funcional.
As vantagens do PET e SPECT, respectivamente, são: exames
com dinâmicas temporais, ou seja, mensura variações ao longo do procedimento;
permite boa localização espacial em regiões ativas e uso de distintos
marcadores para estudos metabólicos. Favorece a aquisição das imagens na
tomografia posterior à tarefa em desenvolvimento, reduzindo artefatos de
movimento; privacidade ao sujeito; usam-se marcadores da atividade neural mais
estável, como meia-vida mais longa entre quatro e seis horas. Na mesma ordem,
as desvantagens compreendem exame invasivo; em um curto período o experimento
não pode ser repetido; restrição a estudos com tarefas sem variações;
imobilidade dos sujeitos envolvidos. Baixa resolução não adquire anatomia;
restrição ao estudo com tarefas sem variações e os demais quesitos do PET.
Do ponto de vista da filosofia da mente, neurocientistas e
médicos pesquisadores apoiam-se na neuroimagem como reforço do materialismo
reducionista e ao materialismo eliminativo. Ao passo que a neuroimagem nos
fornece apenas localização cerebral. Esta não deve ser confundida com
localização anatômica, o que não nos permite inferir uma tese identitarista e
reducionista para o problema mente-corpo. Observa-se, desde os primórdios dessa
técnica, que a neuroimagem sugere um cérebro mais parecido com uma rede, em que
uma função cognitiva tem vários locais dentro de uma concepção
equipotencialista, conexionista ou holista. Pensemos, estudos feitos com
linguagem e memória levam à conclusão de que são várias áreas cerebrais
envolvidas no desenvolvimento do discurso e que muitos são os papéis assumidos
pelo cérebro pré-frontal esquerdo nessa produção, o qual pode acessar
significado, resgatar palavras da memória, gerar representações internas e
acessar informação fonológica. Todavia, aquilo que é capturado pela neuroimagem
– o brilho - refere-se em parte o que está ocorrendo no cérebro quando uma
determinada função cognitiva é realizada. Portanto, uma função não se reduz a
uma única região anatômica, mas sim multilocalizada. (TEIXEIRA, 2008; DAMÁSIO,
2000; LLOYD, 2000).
Com base nesta linha de raciocínio, Teixeira (2008),
sugere que a neuroimagem associada à ideia do mental como virtual, ao
territorializar o lugar do psíquico e do anatômico, não caracteriza em si o
reducionismo nem independência da relação mente-corpo, mas nos possibilita uma
teoria do aspecto dual, sendo assim, o mental e físico são modos de descrição
de uma única e mesma realidade. Dessa forma, no campo das psicoterapias os
métodos da neuroimagem têm favorecido o estudo de sujeitos com transtornos de
personalidade, transtornos de estresse pós-traumático, depressão maior, transtorno
obsessivo-compulsivo, fobia social e específica.
Artigo
original, fonte:
Rodrigues, E. P. Mente, Cérebro e Ressonância
Magnética. Sapiência, nº 25, p. 30, Ano VI,
setembro de 2010. ISSN - 1809-0915.
Link da
revista:
https://www.sapiencia.fapepi.pi.gov.br/edicoes?pgid=k3hxufyv-e98d3726-2ac8-4479-bf66-ea22eab9b915
Referências:
PERES, J.
Trauma e Superação. São Paulo: Roca, 2009.
AMARO JUNIOR, Edson; YAMASHITA, Helio. Aspectos básicos de tomografia computadorizada e ressonância magnética. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 23, supl. 1, p. 2-3, May 2001.
COSTA, Durval C; OLIVEIRA, José Manuel AP; BRESSAN, Rodrigo A. PET e SPECT em neurologia e psiquiatria: do básico às aplicações clínicas. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 23, supl. 1, p. 4-5, May 2001.
DAMASIO, A. O
mistério da consciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
TEIXEIRA,
J. F. Como ler a filosofia da mente. São Paulo: Paulus, 2008.
LLOYD, Robert. Self-Organized Cognitive Maps, The Professional Geographer, 52:3, 517-531, 2000.