segunda-feira, 28 de junho de 2021

Como funciona a iniciação científica?

Segue um vídeo muito esclarecedor para quem quer entender e começar a pesquisar.

Fica a dica: #diáriodepesquisa




domingo, 16 de maio de 2021

A linguagem em Chomsky e Piaget: uma leitura crítica

    Por *Patrícia Lustosa e **Eleonardo Rodrigues                                              


       

Linguagem - Créditos: www.bing.com/images

 

Apresentamos uma resenha crítica de Jacques Mehler “Psicologia e Linguística: o impacto de Chomsky e Piaget, originalmente publicado em 1978. Em princípio, apresentamos um esboço das vastas perspectivas teóricas de Chomsky e Piaget, para concluir com uma análise conjunta do texto.

O estudo sobre a compreensão da linguagem é uma temática fascinante. Sabemos das várias formas de linguagem, seja falada, gestual ou escrita e que todas as espécies vivas trocam informações necessárias à sua sobrevivência. Os animais não-humanos emitem mensagens inteligíveis para sua e outras espécies, como forma de comunicação, bem observado em comportamentos de demarcar território de alguns animais, e nas danças das aves no processo de acasalamento etc. Já a linguagem humana, a língua em forma de fala, é um meio organizado de combinação de palavras para se comunicar, é uma atividade extraordinária historicamente registrada há milhares de anos. Aproximadamente, cerca de 60.000 anos usamos a linguagem, mas não se sabe quando nossos ancestrais começaram a falar.

Chomsky (1985) revolucionou o cenário linguístico e psicolinguístico, em termos epistemológicos e metodológicos. Seu novo olhar sobre o estudo da sintaxe, sugeriu que, para compreendê-la, precisamos ir além das inter-relações dos elementos constituintes das frases, mas também compreender as relações sintáticas entre elas. Criando assim, o conceito de gramática transformacional com estruturas de níveis profundo e superficial, envolvendo regras transformacionais que orientam as formas como a proposição básica pode ser organizada em uma frase.  Ele fez críticas incisivas à obra skinneriana Verbal Behavior (1957), defendendo assim sua posição antibehaviorista e antiempirista. A sua obra Syntatic Structures (1957), resumo da tese de seu doutorado, se concretizaria como um marco na perspectiva linguística hodierna. Chomsky propõe que se deve priorizar a compreensão da natureza do sistema em que o falante possui internamente, produzindo dessa forma um número de horizonte infinito de frases da língua.

A capacidade linguística inata do indivíduo conecta-se, cognitivamente, com a do ser humano em desenvolvimento. Dessa forma, Chomsky fundamentou a gramática universal, entendida como um núcleo fixo, ou seja, uma origem racional da linguagem, necessária à elaboração de todas as línguas. Os componentes básicos dessa gramática universal estariam geneticamente programados no indivíduo. Essa bagagem universal seria uma estrutura profunda presente em todos os indivíduos. Heuristicamente, esses dados chegariam à cognição de cada pessoa, aparecendo assim, na superfície das sentenças.

A proposta da gramática universal iria de encontro com a perspectiva behaviorista, tanto no sentido de que, para os behavioristas, caberia apenas descrever o comportamento passível de observação e no sentido de que a linguagem humana segundo tal sistema de pensamento não deveria ser vista como mais um tipo de comportamento. Chomsky confronta a tese behaviorista de uma linguagem tida como um “comportamento modelado”, independente da pessoa (SINCLAIR-CABRAL, 1991).

Muitas são as críticas quanto a essa visão de Chomsky acerca da perspectiva behaviorista, em especial a skinneriana. Os comportamentalistas defendem-se afirmando que essa visão de “tabula rasa” é ultrapassada, ao pensar na noção de metacontingências que envolvem toda a construção do indivíduo em termos comportamentais. De acordo com a teoria do condicionamento operante de Skinner, as crianças são reforçadas para repetir corretamente o que os pais falam. No entanto, o aprendizado de idiomas, necessariamente não se limita ao condicionamento operante, pois estudos revelam que os pais não corrigem os erros gramaticais, nem repetem constantemente o enredo gramatical daquele idioma, quando muito, corrigem crianças pequenas se o conteúdo do que elas dizem está errado.  Sabemos que os processos de condicionamento, reforço e imitação são construtos teóricos muito bem fundamentados cientificamente e aplicáveis numa grande gama de comportamentos e têm um papel importante na compreensão da aprendizagem, mas compreendemos que eles não correspondem a muitos aspectos do desenvolvimento da linguagem contemporânea. Não cabe nesse artigo um aprofundamento dessa questão. Além de que os cognitivistas contemporâneos não preconizam a noção de tábula rasa; hoje sabemos a importância da compreensão do desenvolvimento da linguagem a partir da evolução por seleção natural como observados em outros sistemas biológicos especializados e, de acordo com um dos princípios cognitivistas, os seres humanos, possuem tendências inatas para desenvolver certas estruturas, e a partir de seu desenvolvimento neurosociocognitivo passará a atribuir significados à realidade reagindo intencionalmente a ela (PINKER & BLOOM, 1990; RODRIGUES, 2018).

Outra contribuição de Chomsky foi de sugerir que o cérebro humano filogeneticamente seria equipado com um Dispositivo de Aquisição da Linguagem (LAD), processo que facilita o aprendizado da linguagem e que teria como consequência o favorecimento a compreensão da gramática da língua em desenvolvimento. Essa ideia é reforçada na observação universal de que todas as crianças, independentes da cultura ou idioma, perecem passar pela mesma sequência de desenvolvimento de linguagem. Mas são feitas críticas ao sistema de pensamento chomskyano, alguns psicólogos cognitivos questionam a ênfase dada na sintaxe (forma) em detrimento da semântica (significado) (STERNBERG & STERNBERG, 2017).

A outra vertente, que problematizamos, refere-se a epistemologia piagetiana. Faz-se necessário tecer um comentário do enlace da estrutura de desenvolvimento latente no sujeito tanto quanto da importância do meio social que se faz para o indivíduo. Piaget elucidou que a inteligência humana se desenvolve no indivíduo em função de interações sociais, interações estas muitas vezes negligenciadas. Apesar de não ter se detido arduamente nessa questão, suas contribuições foram, mesmo assim, de extrema importância.

Dessa forma, pensar a aquisição da linguagem é pensar um processo social. No processo de aquisição da linguagem, pensaríamos assim numa socialização efetiva da inteligência, Piaget ao pensar o desenvolvimento cognitivo, elabora estágios para uma melhor sistematização de suas propostas (TAILLE, 1992).

No estágio sensório-motor (0-2 anos), Piaget não fala numa real socialização da inteligência. Ao contrário, essa fase é especialmente individual.

O estágio pré-operatório (2-7 anos) é onde se pode pensar num início para a aquisição dessa linguagem, mas ainda limitada no que diz respeito a possibilidade da criança de estabelecer trocas intelectuais equilibradas, principalmente pelo fato de a criança pequena ter extrema dificuldade de se colocar no ponto de vista do outro, de manter definições e de atingir a uma escala comum de referências. Essas três características é o que Piaget denominou de pensamento egocêntrico.

É a partir do estágio operatório-concreto (7-8 e 11-12 anos) que as trocas intelectuais começarão a se concretizar.

No estágio das operações formais (12 anos) irá então se concretizar o raciocínio lógico. Neste estágio, o indivíduo apresenta condições de elaborar um saber mais adaptado à realidade. Hoje, devido a superestimação vemos esse fenômeno em crianças de 10 anos. Não raro, as escolas particulares têm antecipado conteúdo do ano letivo seguinte forçando algumas habilidades com vantagens e prejuízos!

Piaget abordou o estudo da inteligência antes da linguagem, pensando essa inteligência como forma assumida pela adaptação biológica ao nível da espécie. Nos estágios, Piaget pensou que tais processos diriam respeito a uma busca constante de equilíbrio. Essa equilibração, afirma Piaget, jamais será alcançada, pois o mundo externo sempre apresentará situações inusitadas que desestruturam o saber até então elaborado. Trata de uma espiral de desenvolvimento que envolve arquivos psicogenéticos, potência do meio de estímulo ou negligência deste meio, envergando diferentes processos de assimilação e acomodação, em busca de um aprendizado almejado perene. Em relação a aquisição da linguagem, a aprendizagem desempenha um papel muito importante nessa tarefa. Crianças que nascem em lares com falantes em português brasileiro aprendem português brasileiro, enquanto as crianças de lares com falantes piaiuês aprendem português brasileiro piauiês.

Em seu texto, Jacques Mehler afirma que duas grandes correntes influenciaram a psicolinguística. De um lado, uma perspectiva onde os mecanismos de elocução são autônomos em relação à gramática; de outro, a psicolinguística que recebeu críticas do cognitivismo. Estes acreditam na impossibilidade de se descobrir a maneira de utilização das regularidades linguísticas sem levar em consideração fatores temporais e sequenciais das frases entendidas.

Foram tecidas críticas à perspectiva piagetiana em relação ao estudo e desenvolvimentos dos bebês.  O texto de Jacques Mehler provocou-nos uma inquietação sobre a perspectiva piagetiana. Pensar que Piaget estudou crianças novas colocando-as na posição de tabula rasa é consequência de um estudo pouco detido na pesquisa piagetiana do desenvolvimento cognitivo. Em um trecho do texto vejo sérias colocações equivocadas:

 

As descobertas piagetianas ainda resistirão certamente por largo tempo e deverão ser levadas em conta em toda e qualquer teoria do desenvolvimento que procure explicar de maneira dinâmica o desenvolvimento e as aquisições. Compreendo, por minha parte, a teoria piagetiana como uma série de modelos estáticos que são progressiva e hierarquicamente encadeados entre si, à medida que as crianças atingem a idade de a, b. n (n+1) anos. Mas esta teoria nunca explica o que é que faz passar uma criança de um estágio ao seguinte (MEHLER, 1987, p.428).

 

 Pensar que Piaget não se debruça no processo a que a criança passa ao atravessar os estágios (lembrando sempre que as idades referentes nos estágios podem oscilar, ele não afirma ser cristalizado) é fruto de uma leitura ingênua de sua obra (DOLLE, 1995).

Mehler nos fala, ainda, sobre um confronto de Chomsky e Piaget em Royaumont. Nesse encontro o autor afirma a convergência de ambos no que diz respeito a uma crítica ao positivismo e ao empirismo, mas ressalta que se trata de um antiempirismo peculiar em cada um deles. Em Piaget, este antiempirismo estaria relacionado com o fato de que “epistemologia em conformidade com os dados da psicogênese não poderia ser empírica nem pré-formista, mas não pode deixar de ser um construtivismo, com a elaboração contínua de operações e de novas estruturas.” (MEHLER, 1987, p.430). Chomsky, por sua parte, afirma que uma faculdade de linguagem, geneticamente determinada e constituindo um dos componentes do pensamento humano, particulariza uma certa classe de gramáticas humanamente acessíveis.

            No entanto, é importante salientar que a neurociência tem algumas contribuições nas teorias propostas: O fundamento neuronal da linguagem nos mostra que as áreas do cérebro que mediam a linguagem ficam no hemisfério esquerdo, para a maioria das pessoas, sendo fundamental para a fala e incluem a área de Broca e Wernicke. Danos a uma dessas áreas – ou a alguma área intermediária – causam um tipo específico de afasia (um colapso da linguagem).  Por exemplo, um paciente com afasia de Broca entende as perguntas, mas sua fala não é fluente; já na afasia de Wernike o discurso é fluente, mas é desprovido de conteúdo. Já o lado direito do cérebro, para a maioria dos humanos, contribui de forma limitada para as funções linguísticas (STERNBERG & STERNBERG, 2017).

Outra perigosa afirmação de Mehler envolve a questão do inatismo em Chomsky e Piaget. O primeiro, ao nos falar da gramática universal, propõe-nos que um sistema pré-programado estaria internalizado no indivíduo e, dessa forma, ele seria capaz de compreender e construir infinitas sentenças, mesmo se nunca as tivesse escutado. Ao se referir a Piaget, o autor nos passa a impressão de que a perspectiva piagetiana é radical no que concerne a inexistência de uma estrutura inata (esse talvez seja o maior erro para compreensão da epistemologia genética). Piaget, como se sabe, nos fala de potencialidades que o indivíduo possui e que irão influenciar no processo de construção de sua cognição.

A proposta do autor de fazer um impacto de Chomsky e Piaget deve ser analisada com cuidado. Uma leitura prévia dos dois pode ser um bom meio de pensar de forma mais crítica de dois titãs do sistema de pensamento seja no campo da linguagem e do desenvolvimento humano.

            Atualmente de forma resumida, dentro de uma perspectiva cientifica, as teses mais aceitas sobre a linguagem são: em relação as suas propriedades, a linguagem tem dois aspectos, produção e compreensão. Na produção da linguagem, começamos com um pensamento e de alguma forma o traduzimos em um período, terminando com sons que expressam o período. Em relação a compreensão, comumente começamos ouvindo os sons, depois acrescentamos significados aos mesmos em forma de palavras e na sequência acrescentamos significados à combinação de palavras em forma de períodos (NOLEN-HOEKSEMA et al., 2018).

            Já em relação aos processos de aprendizagem, quando as crianças começam a falar, inicialmente aprendem palavras que nomeiam conceitos familiares em seu contexto, depois passam para os períodos. Iniciam com orações de uma palavra, progridem para a oração telegráfica de duas palavras e, então, desenvolvem seus sintagmas nominais e verbais. Em certas condições da fase de desenvolvimento, as crianças aprendem a linguagem em parte por testar hipóteses, utilizando memórias implícitas favorecidas pelo automatismo do funcionamento cerebral (IDEM, 2018).

Características inatas também desempenham um papel importante na aquisição da linguagem. Várias descobertas apoiam essa afirmação: Primeiro, todas as crianças em todas as culturas parecem passar pelos mesmos estágios na obtenção da linguagem. Segundo, como em outros comportamentos incondicionados, algumas habilidades linguísticas são aprendidas apenas durante um período crítico do desenvolvimento. Isso explica em parte, por que é relativamente difícil aprender um idioma durante estágios posteriores da vida de acordo com as teorias que distinguem bilinguismo simultâneo, ou seja, aprender duas línguas desde o nascimento e bilinguismo sequencial, aprender uma língua em seguida outra (STERNBERG & STERNBERG, 2017; NOLEN-HOEKSEMA et al., 2018).

Contudo, a interface dos aspectos biológicos, ambientais, cognitivos e políticos são indispensáveis para uma compreensão da fascinante e complexa linguagem humana em desenvolvimento. Tomemos como exemplo, a prevalência oficial da língua inglês falada na maior parte do planeta atualmente. No entanto, essa condição não é regra permanente no tempo e espaço, caso haja alteração de poder de outra nação que não a atual americana, fato historicamente observado com a supremacia do latim de quando o Império Romano detinha o poder.

*Patrícia Rocha Lustosa

Estágio Pós-Doutoral (Ano Sabático) na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP U. PORTO, 2017). Professora Adjunta II do Curso de Psicologia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Doutora em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2013). Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC, 2005). Graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC, 2002).

 **Eleonardo Rodrigues

Professor do Curso de Psicologia da UESPI. Coordenador do Laboratório de Neurociência Cognitiva da UESPI. Doutorando e Mestre em Medicina e Saúde pela UFBA. 

 

 

Referências Bibliográficas

DOLLE, Jean-Marie. História e Método In: Para Compreender Jean Piaget. Rio de Janeiro: Guanabara, 1995.

MEHLER, Jacques. Psicologia e Psicolinguística: o impacto de Chomsky e de Piaget. In: M. PIATTELLI-PALMARINI (Org.), Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: Debate de Jean Piaget e Noam Chomsky com outros autores. Lisboa: Edições 70, 1987.

NOLEN-HOEKSEMA, Susan. et al. Introdução à psicologia de Atkinson & Hilgard. São Paulo: Cengage, 2018.

PIATELLI-PALMARINI, Massimo (Org.). Teorias da linguagem, teorias da aprendizagem: o debate entre Jean Piaget e Noam Chomsky. [Trad.: Álvaro Cabral]. São Paulo: Cultrix; São Paulo: Edusp, 1982. (Théories du langage, théories de l’apprentissage: le débat entre Jean Piaget et Noam Chomsky). Original publicado em 1978.

PINKER, Steven; BLOOM, Paul. Natural language and natural selection. Behavioral and brain sciences, v. 13, n. 4, p. 707-727, 1990.

RODRIGUES, Eleonardo P. (organizador) (2018). Psicologia e psicoterapia cognitivo-comportamentais: filosofia, intervenção e história. Curitiba: CRV.

SAUSSURE, JAKOBSON, HJELMSLEV & CHOMSKY. Vida e Obra. In: Textos Selecionados São Paulo: Abril Cultural, 1985. (coleção Os Pensadores).

SINCLAIR-CABRAL, L. A revolução Chomskyana in: Introdução à Psicolinguística. São Paulo: Ática, 1991.

STERNBERG, Robert & STERNBERG, Karin Psicologia Cognitiva. 7. Ed. São Paulo: Cengage Learning, 2017.

TAILLE, Y. de La. O lugar da Interação Social na Concepção de Jean Piaget. In: TAILLE, Y. de La; OLIVEIRA, M. & DANTAS, H. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus, 1992.

 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Física Quântica e Psicologia


Por Eleonardo Rodrigues

“Quanta do latim, plural de quantum, quando quase não há quantidade de se medir, qualidade de se expressar, fragmento infinitésimo quase que apenas mental” 

(Música QUANTA de Gilberto Gil).


A teoria quântica descreve o comportamento de partículas subatômicas em termos de distribuições de probabilidade, sendo que a observação real de partículas individuais ocorre aleatoriamente dentro dessa(s) realidade(s).

Devido a nova e importante perspectiva de paradigma em relação à mecânica clássica que se baseia no determinismo material, os fenômenos estudados pela mecânica quântica despertaram atenção de estudiosos e do público em geral, devido seu olhar probabilístico quase esotérico.

Há muitas distorções acerca dos conceitos de: salto quântico, princípio da incerta, dualidade de onda partícula, emaranhamento quântico. Muitas vezes, usados como estratégia de marketing para vender algum curso milagroso e transformador que geralmente sensibiliza pessoas sensíveis em algum nível de sofrimento. Ah...quem não deseja ir pra Shangri-Lá!?

O mercado neoliberal é bacana e dá espaço a criatividade para maquiar conceitos em produtos rentáveis. Por que será que os físicos acadêmicos que trabalham e pesquisam mecânica quântica não são ricaços e não vivem apregoando tais afirmações? Por que seus canais na internet com informações precisas e de não fake news não bombam de seguidores?

Enquanto, pesquisador em psicologia, aberto para os estudos inter e transdisciplinares, tenho prudência em procurar fazer o a-b-c de forma coerente no que compete a minha área de atuação, para não fazer o desserviço de praticar o que não me cabe de forma equivocada o ofício de outrem. Pau que nasce torto, não necessariamente precisa morrer torto, flexibilidade cognitiva é salutar, mas não significa abandonar-se numa fé cega, idiossincrásica e irracional diametralmente oposta às crenças de minhas origens.

A física quântica não altera de forma mágica a realidade ao meu redor a partir de meu pensamento; não é autoajuda, nem panaceia, pois muitos conceitos requerem estudos árduos de profissionais da área; facilita a explicação de alguns fenômenos “sobrenaturais”. Ainda, na nossa vida cotidiana é em grande parte, a física clássica que impera. No entanto, do ponto de vista quântico, já usamos: computadores, tv 4k, smartphones, GPS, lâmpadas de LED etc. Apesar de que encontramos no mercado tendências da geração good vibe que comercializam: água quântica, coach quântico, terapia quântica etc. Faz parte do processo de transição paradigmático esse quiprocó.

Continuo a afirmar: a ciência é humilde e sua metodologia está sempre disposta a ser usada para confirmar ou infirmar pressupostos teóricos. Leiamos estudos sérios de pessoas da referida área que desejam contribuir para um mundo melhor, mas sabem que a verdadeira magia se encontra na honestidade intelectual.

#canal no youtube de física do prof. Daniel #físico marcelo greiser #física quântica #psicologia #psicoterapia


quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Feliz Natais de 2020

 por Eleonardo Rodrigues






Há cerca de 2.000 anos nascia Jesus,

Seu nascimento cumpria uma promessa.

Para celebrar e registrar três reis magos

Levaram incenso, ouro e mirra.

 

Esse evento marcou e marca profundamente várias gerações.

O propósito de sua vinda e vida

Restaurou a esperança em forma de fé em várias humanidades.

 

Hoje, o Natal se renova...

A atual humanidade de 2020 celebra seu Natal.

Seja cristão, muçulmano, budista ou ateísta.

 

Os olhos desses crentes brilham,

E, nesse reflexo, se ver o quarto rei magro em silhueta feminina,

Carregando em suas mãos uma linda vacina.

 

Que lindo presente Jesus nos dá,

Teus devotos se quedam humildemente.

E a ti, rendem honra e glória!

Pois, dessa vez, nos presentear-se em forma de milagre da ciência.

 


terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Inteligência Artificial: uma breve análise jurídica, sociológica e tecnológica na Sociedade da Informação

Por Mayara Carneiro*


 A análise dos sistemas de Inteligência Artificial deve seguir um ponto de vista jurídico, sociológico e tecnológico. Como afirma Lawrence Lessig em “The Law of the Horse: what cyberlaw might teach”, o debate completo entre direito e tecnologia não pode se restringir a essas duas vertentes, mas deve abranger outras forças regulatórias, em um cenário em que as leis, as normas sociais, os mercados e a arquitetura estariam presentes.

Questiona-se, a partir do ponto de vista jurídico, quem seria o responsável caso um sistema inteligente provoque um dano que não era previsível. Seria o programador que a criou? A empresa que lançou o software? O consumidor que comprou e interage com a máquina em uma relação de aprendizado? Será que o Direito está preparado para lidar com máquinas inteligentes, autônomas e imprevisíveis?

Outro ponto a ser levado em consideração é o tipo de Inteligência Artificial que se pretende tratar. Se Inteligência Artificial Forte, que tem consciência sobre si e sobre seus atos, que entende, é verdadeiramente inteligente e pode chegar à singularidade; ou se Inteligência Artificial Fraca, que age como se inteligente fosse, que não entende e não tem consciência sobre si e sobre seus atos – que é a Inteligência que se tem no estado da arte atual.

Créditos: Pixabay

De fato, a Inteligência Artificial está em todos os lugares (atuando, principalmente, junto ao processo de ressignificação do ser humano através da ciborguização que acontece na interação homem-máquina, como previsto por Donna Haraway em “A Cyborg Manifesto: Science, Technology, and Socialist Feminism in the Late 20th Century”, como em um celular, que atua como a extensão do ser humano, em que nele estão contidas todas as informações de seu dono. Ao mesmo tempo, tem-se Inteligências Artificiais capazes de ganhar cidadanias e direitos, como o exemplo clássico da Sophia da Hanson Robotics, que possui mais direitos do que as mulheres da Arábia Saudita, porque pode se locomover livremente sem a presença de alguém do sexo oposto, além de não precisar ter seu rosto e corpo cobertos.

Para entender a real importância e influência dos sistemas de Inteligência Artificial ao longo da Sociedade da Informação e sua capacidade de influência nas relações humanas, faz-se uso do que ensina o filósofo francês Bruno Latour, qual seja o surgimento de novos atuantes (actants) na esfera pública e a e a quebra da categorização binária humana e não humana. Consequentemente, passa-se a atribuir características humanas a seres não humanos.

Ao mesmo tempo, do ponto de vista sociológico, tem-se algoritmos que se utilizam de proxies (variáveis não relevantes) de raça e de classe que acabam maximizando a discriminação de minorias tradicionalmente discriminadas pela sociedade, como o algoritmo da Northpointe utilizado para prever a reincidência criminal e a periculosidade no estado da Flórida, Estados Unidos.

Esse algoritmo foi exposto pela ProPublica porque não fazia perguntas diretas de raça e classe, mas perguntas como “existe muito crime no seu bairro?”, o que representa um proxy de classe e de raça, e “já foi suspenso ou expulso da escola?”, que é um proxy de raça, considerando que em uma pesquisa rápida no Google confirma-se que a maioria das crianças que são suspensas ou expulsas nas escolas norte-americanas são pretas. Os resultados para essas perguntas são tão óbvios quanto se parecem: as pessoas pretas e pobres recebiam avaliações de riscos maiores, sendo consideradas mais propícias a reincidência criminal e consideradas com maior periculosidade, o que não se confirmou. Isso gerou um grave problema.

O processo algorítmico, reconhecido por sua “dureza”, não é influenciado por processos externos ao seu código. Mas o ser humano passa a estar presente em várias partes do processo ao fornecer os bancos de dados e as bases de treinamentos, que, por muitas vezes, são desequilibrados. Consequentemente, o algoritmo apresenta resultados desequilibrados. Ressalta-se: O algoritmo é (sempre) neutro, contudo, eventualmente pode apresentar um resultado enviesado por ser um reflexo dos seus bancos de dados e das bases de treinamento, fornecidos pelo ser humano.

Neste sentido, Cathy O’Neil caracteriza esses algoritmos como sendo generalizados (widespread) por serem capazes de atingir milhares de pessoas de forma generalizada, sendo capazes de decidir sobre critérios de reincidência, periculosidade, empregabilidade, empréstimo etc.; misteriosos (mysterious) por agirem secretamente, as pessoas que têm suas vidas decididas por algoritmos, dificilmente sabem que isso ocorre, não se sabe ao certo quais critérios são utilizados; e destrutivos (destructive) pela capacidade de destruir a vida das pessoas afetadas de forma injusta.

Por esse motivo, fala-se em ética de Inteligência Artificial (AI Ethics) aliada a princípios de governança algorítmica (como a explicabilidade), em uma tentativa de fazer com que o algoritmo traga resultados mais justos.

Outro ponto a ser discutido, no que tange a análise tecnológica, é a autonomia da Inteligência Artificial. Trata-se de uma autonomia meramente tecnológica, resultante de uma racionalidade previamente programada. Isso significa dizer que o sistema inteligente só tem autonomia porque o humano assim o quis. O que implica dizer que todas as ações da máquina sempre podem ser ligadas a um ser humano ou a um grupo econômico.

Quando o termo “Inteligência Artificial” foi cunhado, em 1956, Alan Turing já se questionava em 1950 sobre a possibilidade de as máquinas pensarem (can machine think?). Eventualmente deixou essa pergunta de lado para querer saber o quão bem poderia uma máquina imitar o cérebro humano. Por isso teceu o argumento de várias inaptidões (Arguments from Various Disabilities) em que afirmava que uma máquina seria capaz de fazer inúmeras coisas mencionadas, mas nunca poderá fazer X. Por X, determinou: ser amável, bonito, amigável, senso de humor etc., ou seja, características mais subjetivas, ligadas ao ser humano per se. Tal entendimento vai ao encontro ao que o jurista italiano Ugo Pagallo chamou de autonomia artificial, no qual as máquinas inteligentes apenas emulam sentimentos e emoções, como atores em uma peça de teatro, não sendo algo genuíno.

No mesmo sentido, John Searle mostra no Chinese Room Argument que do mesmo jeito que uma simulação de incêndio não ateia fogo na vizinhança, uma simulação de entendimento da máquina não faz com que ela entenda verdadeiramente. A máquina só ficou incrivelmente boa em manipular símbolos formais não interpretados.

A responsabilidade civil a ser empregada dependerá do tipo de Inteligência Artificial empregada, visto que o dano que um carro autônomo causa é físico, enquanto o dano causado por um algoritmo com resultado enviesado fere os direitos da personalidade do indivíduo. Mas acredita-se em uma Inteligência Artificial desenvolvida frente à ética deontológica, que, todavia, não vai focar na intenção do sistema (já que ele não possui intenção), mas no que se pretendia fazer. Todavia, mesmo com valores éticos, o sistema não tem raciocínio prático, julgamento, autorreflexão, deliberação, que são características privativas do ser humano. Por isso a necessidade do homem por trás do sistema autônomo e inteligente.

Assim, a Inteligência Artificial verdadeiramente ética e justa deve ser construída segundo princípios de segurança algorítmica, além de ser ética, segura e deve estar aliada a princípios de privacidade by design, isto é, desde sua concepção, como sugere Eduardo Magrani. Dessa forma, o sistema estará alinhado com um princípio de prevenção de riscos favorável à justiça e ao bem estar daqueles que vivem a Sociedade da Informação.

 

Sobre a autora:

* Mestre em Direito da Sociedade da Informação, membro do Grupo de Pesquisa “Família, Grupos Sociais e Informação”, ambos no Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas – SP. Pós-graduada em Direito Civil e Processo Civil no Centro Universitário UniFacid Wyden (Teresina - PI). Advogada. Vice-presidente da Comissão de Direito Digital da OAB/PI. E-mail: mayaracarneir@gmail.com

CV: http://lattes.cnpq.br/3123942841476426. https://orcid.org/0000-0003-1139-4597. IG: @mayaracarneiroadv

 

 

REFERÊNCIAS

 

LATOUR, Bruno. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Tradução: Gilson César Cardoso de Sousa. Bauru: EDUSC, 2001.

MAGRANI, Eduardo. Entre dados e robôs: ética e privacidade na era da hiperconectividade. 2. ed. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2019.

O'NEIL, Cathy. Weapons of math destruction: how Big Data increases inequality and threatens democracy. New York: Crown, 2016.

PAGALLO, Ugo. The laws of robots: crimes, contracts, and torts. Dordrecht: Springer, 2013.

TURING, Alan. Computing Machinery and Intelligence. Oxford University Press, v. 59, n. 236, p. 433-460 out. 1950.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Mente, Cérebro e Ressonância Magnética

Por Eleonardo Rodrigues


            Hoje em dia, há um boom da imagem da neuroimagem, tanto na literatura técnica quanto na imprensa leiga, na qualidade de “fotografia da mente”. Face a este desenvolvimento emergente e vertiginoso, pesquisadores deste segmento devem se questionar sobre os usos e abusos dos recursos da neuroimagem. Destacam-se atualmente as seguintes tecnologias de imagem: TC (Tomografia Computadorizada), fMRI (Imagem de Ressonância Magnética Funcional), PETscan (Tomografia por Emissão de Pósitrons) e SPECT (Tomografia por Emissão de Fóton Único). Peres (2009) exemplifica que, até o ano de 2007, muitos estudos envolveram o método PET com uso em 48%, o SPECT com 33% e fMRI em 19%, que vem crescendo significativamente por se tratar de um método não invasivo e não usar radiação ionizante comum na energia nuclear. Por isto, não é correto usar o termo ressonância magnética nuclear, apesar de algumas pessoas ainda insistirem nessa nomenclatura.

    A Tomografia Computadorizada é uma técnica que se baseia em emissão de Raios-X. Esse aparelho consiste em uma fonte de raios-X que é acionada, ao mesmo tempo em que realiza um movimento circular ao redor da cabeça do paciente, emitindo um feixe de raios-X em forma de leque. Já as imagens de ressonância magnética têm maior capacidade de demonstrar diferentes estruturas no cérebro e facilita visualizações de mínimas alterações na maioria das doenças. Também possibilita avaliar estruturas como hipocampos, núcleos da base e cerebelo – que é de difícil avaliação por meio da TC (AMARO JÚNIOR E YAMASHITA, 2001).

            A técnica de fMRI é semelhante a um exame clínico com MRI, diferenciando a particularidade de se obter informações relativas à determinada função cerebral. Por exemplo, que partes do cérebro são mais ativas durante estimulação cognitiva do tipo escutar uma música, concentrar-se em uma imagem agradável ou não, relembrar memórias de longo prazo. Tem como vantagens alta resolução espacial e temporal; permite a correlação da atividade neural com a anatomia subjacente; diversos paradigmas podem ser utilizados com um simples exame e permite vários ensaios em um intervalo curto de tempo, favorecendo a avaliação estrutural de transtornos psiquiátricos. Essa técnica baseia-se no fato de que a atividade cerebral requer energia, e a glicose é a forma de energia processada pelo cérebro. Quando observamos qual área cerebral está consumindo maior quantidade de glicose, então, pode-se inferir onde o cérebro está funcionando mais energicamente.

            Como descrito por Costa, Oliveira e Bressan (2001), os métodos PETscan e SPECT, baseiam-se no princípio básico de que a instrumentação utilizada é apenas receptora de informação, ou seja, para se obter as imagens, é necessário administrar aos pacientes um radiofármaco marcado (um contraste, uma forma de glicose radioativa leve), seja um emissor de pósitron para PET, seja um emissor de fóton simples no caso do SPECT. Sabe-se que a eficácia de detecção do sinal radioativo é maior no PET do que no SPECT, mesmo assim seu uso é limitado, pois os radioisótopos de emissão de pósitrons têm vida radioativa curta de minutos, no máximo cerca de duas horas para o flumazenil, tornando um instrumento oneroso e restrito às grandes universidades públicas e clínicas privadas, favorecendo ao SPECT uma alternativa mais viável.

            No que pese a necessidade de ultrapassar problemas significativos com tais metodologias, ainda são bastante necessários nas seguintes situações clínicas: diagnóstico diferencial das demências, incluindo a depressão dos idosos; avaliação pré-cirúrgica de doentes com epilepsia focal; confirmação de morte cerebral; avaliação das sequelas neuropsiquiátricas após traumatismos encefálicos; diagnóstico diferencial entre doença de Parkinson e parkinsionismo induzido por fármacos. Além de estudar uma gama maior de funções cerebrais principalmente em relação à neurotransmissão e os neuroreceptores do que os exames de ressonância magnética funcional.

            As vantagens do PET e SPECT, respectivamente, são: exames com dinâmicas temporais, ou seja, mensura variações ao longo do procedimento; permite boa localização espacial em regiões ativas e uso de distintos marcadores para estudos metabólicos. Favorece a aquisição das imagens na tomografia posterior à tarefa em desenvolvimento, reduzindo artefatos de movimento; privacidade ao sujeito; usam-se marcadores da atividade neural mais estável, como meia-vida mais longa entre quatro e seis horas. Na mesma ordem, as desvantagens compreendem exame invasivo; em um curto período o experimento não pode ser repetido; restrição a estudos com tarefas sem variações; imobilidade dos sujeitos envolvidos. Baixa resolução não adquire anatomia; restrição ao estudo com tarefas sem variações e os demais quesitos do PET.

            Do ponto de vista da filosofia da mente, neurocientistas e médicos pesquisadores apoiam-se na neuroimagem como reforço do materialismo reducionista e ao materialismo eliminativo. Ao passo que a neuroimagem nos fornece apenas localização cerebral. Esta não deve ser confundida com localização anatômica, o que não nos permite inferir uma tese identitarista e reducionista para o problema mente-corpo. Observa-se, desde os primórdios dessa técnica, que a neuroimagem sugere um cérebro mais parecido com uma rede, em que uma função cognitiva tem vários locais dentro de uma concepção equipotencialista, conexionista ou holista. Pensemos, estudos feitos com linguagem e memória levam à conclusão de que são várias áreas cerebrais envolvidas no desenvolvimento do discurso e que muitos são os papéis assumidos pelo cérebro pré-frontal esquerdo nessa produção, o qual pode acessar significado, resgatar palavras da memória, gerar representações internas e acessar informação fonológica. Todavia, aquilo que é capturado pela neuroimagem – o brilho - refere-se em parte o que está ocorrendo no cérebro quando uma determinada função cognitiva é realizada. Portanto, uma função não se reduz a uma única região anatômica, mas sim multilocalizada. (TEIXEIRA, 2008; DAMÁSIO, 2000; LLOYD, 2000).

            Com base nesta linha de raciocínio, Teixeira (2008), sugere que a neuroimagem associada à ideia do mental como virtual, ao territorializar o lugar do psíquico e do anatômico, não caracteriza em si o reducionismo nem independência da relação mente-corpo, mas nos possibilita uma teoria do aspecto dual, sendo assim, o mental e físico são modos de descrição de uma única e mesma realidade. Dessa forma, no campo das psicoterapias os métodos da neuroimagem têm favorecido o estudo de sujeitos com transtornos de personalidade, transtornos de estresse pós-traumático, depressão maior, transtorno obsessivo-compulsivo, fobia social e específica.

 

Artigo original, fonte:

Rodrigues, E. P. Mente, Cérebro e Ressonância Magnética. Sapiêncianº 25, p. 30, Ano VI, setembro de 2010. ISSN - 1809-0915. 

Link da revista: 

https://www.sapiencia.fapepi.pi.gov.br/edicoes?pgid=k3hxufyv-e98d3726-2ac8-4479-bf66-ea22eab9b915


Referências:

PERES, J. Trauma e Superação. São Paulo: Roca, 2009.

AMARO JUNIOR, Edson; YAMASHITA, Helio. Aspectos básicos de tomografia computadorizada e ressonância magnética. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 23, supl. 1, p. 2-3, May 2001. 

COSTA, Durval C; OLIVEIRA, José Manuel AP; BRESSAN, Rodrigo A. PET e SPECT em neurologia e psiquiatria: do básico às aplicações clínicas. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 23, supl. 1, p. 4-5, May 2001.

DAMASIO, A. O mistério da consciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

TEIXEIRA, J. F. Como ler a filosofia da mente. São Paulo: Paulus, 2008.

LLOYD, Robert. Self-Organized Cognitive Maps, The Professional Geographer, 52:3, 517-531, 2000.