sábado, 13 de junho de 2020

Integrando Psicologia e Neurociência


Live Gratuita – Terapia Cognitivo Comportamental e Neurociências

Com o prof° Eleonardo Rodrigues, psicólogo e neurocientista.

- Professor do Curso de Psicologia e Coordenador do Laboratório de Neurociência Cognitiva da UESPI;
- Doutorando e Mestre em Medicina e Saúde pela UFBA;
- Psicoterapeuta em TCC há 18 anos (CRP 21/00179).

Mediadora: Psicóloga Alana Anijar
Dia 15/06 às 20h00

Nós preparamos uma live gratuita e exclusiva para você que quer se aprofundar em:

- Interseção entre TCC e Neurociência;
- Convergências e divergências epistemológicas;
- A contribuição para a saúde mental.

Clique no link e faça seu cadastro para garantir sua vaga:
 https://bit.ly/Live_Cognitiva

terça-feira, 9 de junho de 2020

Quem dera

*Por Lázaro do Piauí



Talvez fiquemos melhores
Quando isso tudo passar
Que as cicatrizes que  fiquem
Sejam pra nos ensinar


A sermos mais pacientes
A sermos mais tolerantes
De gentileza em punho
De amargura distante


Eu quero ser quem faz falta
Em qualquer  lugar que esteja
Que sempre a minha presença
Seja o que você  deseja


Quero ser quem deixa saudade
E volta trazendo alegria
De alma leve e tranquila
Sem mágoas, sem grosseria


Eu quero ser bem melhor
Depois dessa pandemia
Pra quando você  me encontra me dizer:
Agora  ganhei meu dia


Vou praticar ter mais amor
Praticar ser mais humilde
Praticar ter mais bondade
Isso sou eu  quem decide


Aproveitar a quarentena
Praticar mais, bons momentos
Descobrir mais minha família
Praticar mais bons  sentimentos


Aproveitar esse isolamento
Pra dar e pedir perdão
Fazer aquela faxina
Na casa e no coração
Ficar em casa com os meus
Orando e pedindo  a Deus
Para nos dar proteção!


Quero ser bem melhor
Quando tudo isso passar.....


*Cantor, compositor e poeta.
Poeta por vocação e matuto por convicção.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Eficácias das psicoterapias



O que os psicoterapeutas fazem? Essa foi a questão levantada pelos psiquiatras Knapp, Kieling e Beck (2015), para saber como os psicoterapeutas atuam em suas experiências clínicas. Como psicoterapeuta tenho noção do quão custoso é tratar os transtornos mentais em sua demanda regional, imagine mundial? De acordo com autores supracitados, projeta-se que as despesas com serviços de saúde mental e tratamento de substâncias tenham um crescimento médio anual de 4,6% nos próximos anos, atingindo um total de US $ 280 bilhões em 2020, só nos EUA.  Apesar dos avanços dos fármacos nas últimas décadas, também é claro que nenhum deles por si só, é suficiente para combater os devidos transtornos mentais.

            Os autores citam que há poucas pesquisas acerca do manejo das eficácias e eficiências das psicoterapias. Contudo, as psicoterapias baseadas em evidências, vêm demonstrando suas eficácias no manejo de muitos transtornos psiquiátricos, fazendo parte das diretrizes clínicas em muitos países.

            No referido estudo, que teve como desenho uma revisão sistemática com meta-regressão, foram entrevistados 27.647 profissionais de saúde mental nas 60 pesquisas que apresentaram percentuais específicos para as cinco orientações teóricas incluídas nas análises finais. Relatam também, as tendências nas orientações teóricas predominantes adotadas por psicoterapeutas entre os anos de 1971 e 2010. As orientações teóricas foram agrupadas em cinco grandes categorias, com o maior número de estudos nas últimas cinco décadas: analítico/psicodinâmico; comportamental; cognitivo/cognitivo-comportamental; humanista; e eclético/integrativo. Os entrevistados tinham uma idade média de 48,37 anos, e 55,98% deles eram do sexo masculino. A terapia cognitivo-comportamental foi preferida por 28,24% dos entrevistados; 25,33% dos profissionais de saúde mental declararam usar estratégias preferencialmente ecléticas/integrativas; 14,82%, endossaram a orientação analítica/psicodinâmica; 10,91%, técnicas comportamentais; e terapia humanística de 9,50%.


Fonte:

Knapp P, Kieling C, Beck AT. What do psychotherapists do? A systematic review and meta-regression of surveys. Psychother Psychosom. 2015;84(6):377378. doi:10.1159/000433555

Clique no link abaixo para acessar o artigo:





domingo, 7 de junho de 2020

Psicoterapias Corporais

Por *Périsson Dantas do Nascimento



As psicoterapias corporais abrangem um corpo teórico e técnico na psicologia clínica, que são derivadas das contribuições elaboradas por Wilhelm Reich (1897-1957), que iniciou sua carreira como psicanalista e elaborou uma série de inovações clínicas de inclusão do corpo no processo psicoterápico.  Essas abordagens possuem um cunho holístico e psicossomático, ou seja, consideram que o ser humano é um ser integrado dialeticamente em suas duas dimensões constitutivas: processos mentais e corporais, que se unem na dimensão energética. 

Ao falar em energia, na perspectiva corporal, parte-se do pressuposto que para a manutenção das células vivas, é necessária uma produção de energia biológica por meio do metabolismo, que queima nutrientes advindos da alimentação, juntamente com o oxigênio do ar, produzindo calor, alimentando as células e excretando as substâncias químicas desnecessárias. Daí a ênfase, nas intervenções em psicoterapia corporal, na respiração como processo fundamental para a produção de energia e a autorregulação do organismo. Além disso, para a produção de energia, é importante que as células estejam em contínuo movimento, outro pilar básico de intervenção nessa abordagem.

As psicoterapias corporais trabalham com a hipótese central de que a história de vida de cada pessoa está inscrita no corpo, na forma de tensões, fluxos energéticos e formas específicas de expressão e constituição, para além da genética. Dificuldades e frustrações vividas no desenvolvimento infantil repercutem em fixações, mais especificamente, em traumas de desenvolvimento, que desencadeiam na pessoa a necessidade de construir defesas para evitar entrar em contato com as experiências desagradáveis. Quando uma frustração é vivida repetida e intensamente, essas defesas configuram um padrão rígido de funcionamento na vida, de forma a proteger a pessoa de reviver experiências de vulnerabilidade na relação com as pessoas na vida adulta. Tal conjunto de defesas, que se enraízam e protegem o ego do sujeito, é definido em psicoterapia corporal como estrutura de caráter, sendo a base de compreensão dos sintomas neuróticos.

Como trabalhamos com um raciocínio integrativo, é necessário entender que esse complexo sistema de defesas também está ancorado no corpo. Os traumas de desenvolvimento provocam uma alteração na regulação do sistema nervoso autônomo, que prepara o corpo para reagir a ameaças e estímulos estressores. Nesse sentido, o sistema nervoso simpático torna-se superativado, tendo como principal repercussão um tensionamento crônico da musculatura, com vistas a cortar o contato da pessoa com as emoções, sentidas como ameaçadoras (medo, raiva, tristeza, prazer, por exemplo). A contração crônica da musculatura, que se dá em diferentes segmentos horizontais no corpo, é definida como couraça, que bloqueia as sensações, o potencial respiratório e inibe somaticamente a capacidade pulsatória do corpo como um todo. O trabalho clínico visa flexibilizar, de maneira integrada, psiquismo e corporeidade, visando proporcionar uma melhor autoconsciência, por meio de diferentes intervenções, reconhecendo o limite de cada pessoa e o seu fluxo energético, de forma propiciar uma melhor regulação das emoções, um contato mais prazeroso com a sexualidade e a vivacidade/espiritualidade.

Em termos epistemológicos, as psicoterapias corporais estão enraizadas nas escolas psicodinâmicas, advindas da psicanálise freudiana. Reich foi um discípulo de Freud e trabalhou ativamente, no início de sua carreira na década de 1920, no desenvolvimento de estratégias técnicas mais eficientes no trabalho clínico da Psicanálise. Assim, as psicoterapias corporais acreditam na dimensão inconsciente do psiquismo, em que a constituição dos mecanismos de defesa do caráter é estruturada nas diversas etapas do desenvolvimento psicossexual da criança (oral, anal, fálica, latência), culminando no Complexo de Édipo. 

O próprio conceito de energia nas abordagens deriva da inquietação de Reich com a ideia de libido, considerada por Freud como a energia que é investida em si mesmo e nos objetos e dá movimento afetivo ao psiquismo. Com as investigações biológicas de Reich sobre a sexualidade humana, o autor associa libido com a bioenergia metabólica, base de todas as células vivas pulsantes. Pulsão é interpretada como pulsação de vida, subdividida em dois grandes fluxos: contração, caracterizada em uma volta do organismo vivo para dentro, perdendo o contato com o ambiente; expansão, que é o movimento em direção para fora, para o contato com o mundo.

Outro ponto importante, em termos de herança que as psicoterapias corporais assimilam da Psicanálise, diz respeito aos fenômenos de transferência, resistência e contratransferência no espaço terapêutico. Como sabemos, a transferência, grosso modo, implica em projeções de expectativas infantis, de padrões de vínculo, que são atribuídas do paciente ao psicoterapeuta na situação clínica. A contratransferência relaciona-se ao movimento contrário, projeções emocionais, geralmente infantis, do psicoterapeuta para o paciente. 

Esses processos são considerados, na abordagem, como uma forma de resistência, ou seja, estão a serviço dos mecanismos de defesa do caráter para evitar o contato com as emoções de frustração e desviar a atenção das intervenções terapêuticas, como uma forma de sabotar o trabalho clínico. Esses aspectos são trabalhados continuamente como movimentos emocionais e energéticos, por meio de uma aliança inicial com a resistência e o sistema de defesas infantis e psicossomáticos dos clientes, pois são considerados mecanismos de sobrevivência emocional para evitar a dor. A proposta é facilitar o processo de expressão da angústia e, posteriormente, realizar confrontações que sejam necessárias para flexibilizar a rigidez e os padrões limitantes de visão de si mesmo e das relações.

Abordaremos, de maneira sintética as principais escolas de psicoterapias corporais, mais conhecidas em nosso país:


  Vegetoterapia Caracteroanalítica: também definida como Análise Reichiana, advém dos desdobramentos técnicos elaborados por Wilhelm Reich e, posteriormente, sistematizados pelos psiquiatras Ola Raknes e Federico Navarro, a partir dos anos 60. Nessa abordagem, o psicoterapeuta faz um diagnóstico diferencial de estruturação dos mecanismos de defesas de caráter do paciente, bem como a leitura corporal do encouraçamento, que acontece por meio de entrevistas iniciais de anamnese e análise da busca do paciente pela psicoterapia. É elaborado um plano de ação terapêutica a partir da compreensão caracterial do paciente, que obedece um padrão sistemático de flexibilização e desbloqueio dos diferentes segmentos de contração neuromuscular no corpo, seguidos de verbalização e análise somatopsicodinâmica. As intervenções são definidas como actings: movimentos neuromusculares de ativação que buscam ampliar a percepção do encouraçamento e restaurar a pulsação, através de descargas emocionais neurovegetativas;

  Análise Bioenergética: Criada por Alexander Lowen na década de 1950, nos EUA, essa abordagem parte dos principais pressupostos reichianos, com algumas reformulações centrais. A principal delas diz respeito à sistematização da teoria do desenvolvimento das defesas de caráter, considerando os diferentes momentos evolutivo do desenvolvimento psicossexual da criança. Lowen elabora cinco tipologias de caráter, que são: equizoide, oral, narcisista/psicopático, masoquista e rígido, com um estudo detalhado sobre sua etiologia, constelação psicodinâmica, características defensivas, leitura corporal das couraças e projetos terapêuticos para cada uma dessas estruturas. Sua principal contribuição terapêutica diz respeito ao trabalho com o grounding, definido como aterramento – a capacidade que a pessoa tem de sustentar-se na vida, observada a partir do contato que o paciente tem com suas pernas e pés no chão. Inicia-se um novo paradigma de ação terapêutica que não se restringe, como na Vegetoterapia, a intervenções com o paciente na posição deitada no divã, mas chamando o paciente para ficar também de pé, considerada uma posição progressiva e ativa mediante a vida. Lowen também elaborou uma série muito rica e criativa de intervenções terapêuticas, na forma de exercícios de mobilização muscular e técnicas de enfatizam o contato e expressão das emoções, seja na forma individual ou em grupos de movimento;

  Psicologia Biodinâmica: Elaborada por Gerda Boyesen na Noruega, nos anos 1950, e desenvolvida em Londres a partir da década de 60. A Psicologia Biodinâmica trabalha com o pressuposto que existe uma digestão psicossomática da vida, ou seja, os intestinos seriam um centro importante no processamento da energia corporal e das emoções, sendo afetados diretamente pelos traumas e estresses nos processos de desenvolvimento. Para Gerda, o objetivo terapêutico está focado no trabalho da recuperação da pulsação psicoperistáltica, ou seja, de propiciar, por meio da conversa terapêutica, do trabalho suave com a musculatura e diversas manobras de toques e massagens, um melhor funcionamento intestinal, que repercutiria na melhoria do funcionamento do organismo como um todo, propiciando uma limpeza das toxinas emocionais. Uma grande contribuição da Biodinâmica está na hipótese da existência de couraças viscerais e dos tecidos, para além das couraças musculares, enfatizadas por Reich; 

  • Psicologia Formativa: Elaborada por Stanley Keleman a partir da década de 70 nos EUA, possui uma perspectiva somática-existencial, tendo como base uma visão fenomenológica do corpo vivo: sede de toda a experiência, que busca cada vez mais forma em sua pulsação. Keleman elabora uma compreensão da dinâmica e formação processual do organismo, visto em sua arquitetura tissular geneticamente programada, finita, em permanente construção e desconstrução, pulsando segundo afetos, com tubos dentro de tubos, com suas câmaras e válvulas, sempre em busca de mais vida, inflando, esvaziando, adensando, enrijecendo de acordo com as experiências emocionais. Elabora estudos sobre a anatomia emocional e os padrões de distresse somático, que deformam o corpo, seja inflando ou adensando os seus tecidos. Trabalha com um método de construção e conscientização contínua das polaridades de pulsação corporificada no corpo; 
  Biossíntese: Criada por David Boadella, na década de 70, na Suíça, recebe influências de todas as abordagens anteriores, tendo em vista que o autor possuiu experiências e formação em todas elas. A Biosssíntese é definida como Integração da Vida e constitui-se como um sistema aberto de conhecimento e práticas terapêuticas na abordagem corporal, que tenta dialogar com as diferentes correntes de pensamento reichianas e neorreichianas. Traz como um grande diferencial a influência da psicologia pré-natal na compreensão da subjetividade humana, possuindo uma visão embriológica da personalidade, entendida a partir dos diferentes folículos embrionários que configuram três grandes dimensões de nossa existência: ectoderma (responsável pela formação da pele e sistema nervoso – configurando nossa dimensão de pensamento); mesoderma (responsável pela musculatura e sistema ósseo – configurando a dimensão de movimento) e ectoderma (responsável pela formação das vísceras e tecidos profundos – responsável pela dimensão sentimento). Recebe influência dos autores da teoria das relações objetais, enfatizando a importância e complexidade das relações mãe/bebê na constituição do psiquismo, reformulando a necessidade de intervenções corporais que sigam o fluxo próprio de ressonância com os pacientes. A partir da leitura embriológica, há uma reformulação dos princípios terapêuticos de acordo com o sentido integrador dos clientes, que são: facing/sounding (ectdodérmicos – trabalho com o contato de voz e visual com os pacientes); grounding (mesodérmico – ampliação do conceito elaborado por Lowen, considerando todas as formas de sustentação no próprio corpo) e centering (endodérmico – focalizado na respiração, meditação e autopercepção consciente do corpo e funcionamentos internos).

Como vimos, as psicoterapias corporais possuem um enorme escopo de atuação e uma diversidade muito rica em seus pressupostos teóricos e técnicos. É importante ressaltar que cada uma dessas abordagens possui institutos internacionais que pensam a sua formação e produzem muito material de reflexão a partir das novas descobertas na clínica, além de promover muitos eventos nos Brasil e exterior. Atualmente todas as abordagens possuem diálogos muito profícuos com os autores da neurociência e da neuropsicologia das relações interpessoais, tais como Allan Schore, Daniel Siegel, Stephen Porges, Antonio Damasio, Louis Cozolino, entre outros, que participam como conferencistas nos congressos e trazem contribuições que comprovam a eficácia de seus pressupostos

Finalizamos nosso texto convidando para visitarem os sites de diferentes instituições das abordagens aqui citadas no país, onde poderão encontrar diversas informações, materiais para leitura, cursos de formação clínica, atualização e capacitação.

Referências:

  Vegetoterapia Caracteroanalítica: www.centroreichiano.com.br www.institutoibar.com.br



  Psicologia Biodinâmica: www.ibpb.com.br



* Doutor em Psicologia Clínica – PUCSP, Professor Adjunto do Curso de Psicologia da Universidade Estadual do Piauí, Local Trainer e Supervisor Certificado pelo Instituto Internacional de Análise Bioenergética, onde é Coordenador do Comitê Internacional de Pesquisa.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

A contribuição da neurociência para a psicologia


*Por Vitória Antão



            O estudo da neurociência atrelado a psicologia atua de forma a consolidar, ampliar e somar diferentes perspectivas aos estudos dos sujeitos em seus mais diversos aspectos psicossociais. Essa relação confere aos estudos psicológicos um maior status científico. Ademais, as pesquisas em neurociência, principalmente através do mapeamento cerebral também podem contribuir no entendimento das diversas interações do homem consigo mesmo e com o meio (TAKASE, 2003).


            O córtex cerebral, uma camada de substancia cinzenta localizada na área externa do cérebro, contém bilhões de neurônios organizados em circuitos complexos, os quais desempenham funções características da espécies humana, chamadas de funções nervosas superiores, como a linguagem, a memória, planejamento de ações, o raciocínio crítico, dentre outras, (COSENZA; GUERRA, 2011). Nesse sentido, essas capacidades também são estudadas e analisadas pela psicologia devido sua importância para o desenvolvimento psicossocial do indivíduo e para o fomento da sua relação com o mundo ao seu redor. 


            Por conseguinte, é possível perceber a importância de se associar os estudos de psicologia e as pesquisas em neurociência a fim se obter resultados mais eficientes acerca da teoria e da aplicação das teorias da aprendizagem, posto que a neurociência permite entender os aspectos neurológicos da aprendizagem. Dessa forma a partir da interação entre neurociência e psicologia podemos obter grandes avanços acerca da compreensão e intervenção no processo de aprendizagem, buscando analisar seus contextos e especificidades sociais, bem como individuais de cada sujeito.


            É necessário ressaltar que a aprendizagem abrange todos os aspectos da vida do indivíduo desde de aprendizagem motora, cultural, emocional, cognitiva e comunicativa. Nessa perspectiva, se estabelece como de fundamental importância para avanços na questão da aprendizagem o conceito de plasticidade cerebral, o qual se refere à capacidade que o cérebro possui de se modificar e remapear suas conexões, através da reação às experiências, aos aprendizados e aos danos aos quais é exposto, mitigando teorias antigas que consideravam o cérebro imutável (CHOPRA; TANZI, 2013). O conceito de neuroplasticidade é importante, pois constitui a base neurobiológica da aprendizagem, na qual a influência do meio externo diante da exposição a novos desafios e conhecimentos é capaz de causar modificações no sistema nervoso central (SNC) promovendo seu desenvolvimento constante (ROTTA; FILHO; BRIDI, 2016).


            Para além, a neurociência também estabelece uma comunicação intrínseca à inteligência artificial, a qual pode ser estudada, e discutida a partir dos preceitos da psicologia implicando em uma utilização coerente, saudável, eficiente e que respeite os parâmetros da justiça e da ética.


            Em suma, partindo do princípio da transdisciplinaridade da neurociência, uma vez que ela reúne diversas áreas do conhecimento no estudo do cérebro humano, tanto a neurociência quanto a psicologia devem dialogar, se integrar, convergir, complementar, divergir e somar em diversos aspectos permitindo uma compreensão cada vez mais complexa e ampla do sujeito e seus processos de aprendizagem, desenvolvimento, comunicação, socialização, construção de tecnologias, pensamento entre outros.




Referências

COSENZA, R. M. e GUERRA, L. Neurociência e educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.

CHOPRA, D.; TANZI, R. E. Supercérebro: como expandir o poder transformador da sua mente. Tradução de Bianca Albert, Eliana Rocha, Rosane Albert. Alaúde Editorial, São Paulo, 2013.

ROTTA, N. T.; FILHO, C. A. B.; BRIDI, F. R. S. Neurologia e aprendizagem: abordagem multidisciplinar [recurso eletrônico]. Porto Alegre: Artmed, 2016.

TAKASE, Emílio. Contribuições recentes da Neurociência à Psicologia. Revista de Ciências Humanas, Florianópolis, n. 34, p. 441-458, jan. 2003. ISSN 2178-4582.Disponívelem:<https://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/view/25386/22307>. Acesso em: 04 jun. 2020.


*É discente do 4.o período do Curso de Psicologia da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Escreveu este texto motivada pela disciplina Neurociências da referida IES.



Depoimento:


A disciplina de neurociências marcou a minha trajetória no curso de psicologia com novas perspectivas, possibilidades, experiências de estudo e prática da psicologia, especialmente porque entendo a psicologia como uma área abrangente, profunda, bem como ampla do estudo dos sujeitos e das suas relações com o mundo. Por conseguinte, o estudo multidisciplinar tem implicações significativas na compreensão das especificidades e complexidades dessas relações. Nesse sentido quanto mais for possibilitado o diálogo entre neurociência e psicologia mais caminhos poderão ser construídos a fim de analisar os processos psicológicos e sociais, além de auxiliar para que relações intrapessoais e interpessoais sejam mais harmônicas e saudáveis, respeitando a subjetividade de cada indivíduo e seus contextos.
            Ademais, a disciplina também propiciou diálogos e associações com a atualidade, a cultura e produção artística muito importantes, as quais despertaram em mim a visualização da psicologia nas mais diversas esferas da vida cotidiana. Os relatos da prática da associação entre neurociência e psicologia em atuação profissional e pesquisas cientificas também acrescentaram interessantes e relevantes aprendizagens que são notavelmente enriquecedoras para a formação acadêmica em Psicologia.



quarta-feira, 3 de junho de 2020

Podcast na Rádio UESPI


            A rádio UESPI organizada pela sua assessoria de comunicação, tem feito um acompanhamento especial das várias demandas que envolve as consequências da pandemia do COVID-19, dentre outros temas.

            Acesse os podcasts e vídeos da Rádio/TV UESPI por meio das plataformas Youtube ou Spotify. (https://www.youtube.com/channel/UCHwEATmf-Aq111JTEjXhmPg).


Ouça o podcast: “Como cuidar da sua mente na quarentena”


terça-feira, 2 de junho de 2020

“O impacto da pandemia do COVID-19 na saúde mental.”


Gostaria de agradecer ao Prof. Dr. Vanderlan Francisco da Silva, do Curso de Ciências Sociais da UFCG, pelo convite em participar da Palestra “O impacto da pandemia do COVID-19 na saúde mental.” no Ciclo de Debates do PET – Antropologia no dia 02 de junho de 2020.

Foi um momento muito rico para integração das ciências sócias e psicologia sobre o contexto da Pandemia do Coronavírus e rever amigos, ex-alunos e colegas de longas datas.