domingo, 13 de outubro de 2019

Terapia Cognitiva


Por Eleonardo Rodrigues



A Terapia Cognitiva foi criada pelo psiquiatra Aaron Beck, no início dos anos 60, como um tipo de psicoterapia estruturada, de curto prazo, originalmente idealizada para auxiliar os pacientes deprimidos a resolverem problemas atuais e a modificarem pensamentos e comportamentos disfuncionais. Atualmente, há uma diversidade de modelos cognitivos que surgiram desde seu desenvolvimento inicial, culminando com a classificação de Terapias Cognitivo-Comportamentais (TCC).

A Terapia Cognitiva propõe que os pensamentos disfuncionais influenciam negativamente o humor e o comportamento dos pacientes. Avaliar de forma realista e mudar tais pensamentos automáticos disfuncionais - que não são decorrentes de deliberação e raciocínio - é um dos passos iniciais mais importantes desse processo terapêutico. O terapeuta ajuda o cliente a compreender e modificar os pensamentos disfuncionais que advém das crenças nucleares normalmente estabelecidas na infância ou adolescência, bem como as emoções (medo) e comportamentos (evitação) mal adaptadas, influenciando assim, seus correlatos fisiológicos (taquicardia) do estado atual¹.

O modelo cognitivo proposto por Beck, sugere que temos três níveis de cognição: crenças nucleares, crenças intermediárias e pensamentos automáticos. Este modelo baseia-se na hipótese de que as emoções e os comportamentos são influenciados por sua percepção dos eventos, de tal modo que são as interpretações que determinam o que sentem².

Os pensamentos automáticos compreendem o nível de cognição mais superficial na terapia cognitiva, surgem automática e subitamente, são rápidos e breves e ocorrem com frequência. São palavras ou imagens que passam pela mente de um sujeito em uma situação específica. As crenças intermediárias consistem em regras, atitudes e suposições e influenciam a visão que um indivíduo tem de uma determinada situação, influenciando concomitantemente a forma como ele pensa, sente e se comporta. Essas suposições são observadas em atitudes do tipo “se...então...”. Já as crenças centrais ou nucleares se constituem como o nível cognitivo mais fundamental, sendo absolutistas, globais, rígidas e supergeneralizadas. Tais crenças têm origem nas experiências infantis ou na adolescência, envolvem as ideias e percepções distorcidas que são consideradas pelas pessoas como verdades imutáveis sobre si e o mundo e costumam não estar no nível da consciência. Por isso não são palpáveis e tornam-se difíceis de ser modificadas, sendo identificadas em afirmações do tipo: “não sou digna de ser amada”, “sou desamparado”, “sou frágil”, “não tenho valor”³.

Uma das metas psicoterápicas da terapia cognitiva é produzir dissonância cognitiva, facilitando a reestruturação não apenas dos três níveis de cognição, mas a correção do próprio processamento distorcido das informações. À produção de dissonância terapêutica, procede-se a identificação de erros lógicos e a correção da modalidade específica de distorção usada pelo cliente4. Assim, como toda psicoterapia que se preze, uma relação terapêutica segura é fundamental. O processo final, favorece o cliente ser seu próprio terapeuta, usando os recursos aprendido no processo em situações futuras.


Fonte:
1. RODRIGUES, E. P. Comparação das terapias cognitiva e comportamental individual e em grupo versus farmacoterapia no tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo. Revista FSA: Periódico Científico da Faculdade Santo Agostinho. Teresina-PI, n.8, p. 323-334. dez. 2011. ISSN: 1806-6356.
2.  BECK, J. Terapia Cognitiva - Teoria e Prática. Porto Alegre: Artmed, 1997.
3. RANGÉ, B. Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais - Um Diálogo com a Psiquiatria. 2. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
4. DAMASCENO-NETO, J. Terapia Cognitiva: fundamentos e construtos hipotéticos. In: Rodrigues, E. P.  (org.). Psicologia e psicoterapia cognitivo-comportamentais: filosofia, intervenção e história. Curitiba: CRV, 2018.

 






 






sábado, 28 de setembro de 2019

O que é Terapia Cognitiva Processual?


Por Eleonardo Rodrigues


Uma estratégia desenvolvida na última década para mudanças de crenças nucleares na Terapia Cognitivo-Comportamental é a Terapia Cognitiva Processual (TCP) criada pelo psiquiatra e psicoterapeuta Irismar Reis de Oliveira, professor titular da UFBA.  Foi inspirada na obra de Kafka, “O Processo”, na qual o personagem Joseph K. é preso e condenado sem saber de que crime era acusado, desenvolvendo pensamentos e crenças persecutórios. A partir desse romance, o autor da TCP hipotetizou que a intenção de Kafka era propor a autoacusação como princípio universal. Na TCP, consequengemente, o sujeito elabora sua própria defesa. Então, a técnica “Processo” da TCP propõe a modificação de crenças disfuncionais mediante seu “julgamento”, de forma semelhante ao que ocorre em um tribunal.
A TCP é um modelo de intervenção psicoterápica baseado na TCC convencional, mantendo as mesmas premissas filosóficas e epistemológicas das terapias cognitivas, que têm como principais expoentes os psicoterapeutas Albert Ellis e Aaron Tim Beck. A TCP tem uma conceitualização de caso própria, estrutura das sessões e condução clínica diferentes da TCC convencional e da TREC (Terapia Racional-Emotivo-Comportamental). Sua estrutura facilita ao terapeuta, seja ele iniciante ou experiente, tomar melhores decisões em relação ao uso de várias técnicas existentes para os tratamentos psiquiátrico ou psicológico. A TCP é dividida de forma a abordar os três níveis de cognição (nível 1 representado pelos PA; nível 2 representado pelos pressupostos subjacentes; e nível 3 representado pelas crenças nucleares) em três fases distintas. Na fase 1 (início da terapia), as crenças nucleares negativas disfuncionais estão predominantemente ativadas; na fase 2 (após início e antes do final), o terapeuta usa as técnicas para desativar as crenças nucleares negativas disfuncionais e ativar as crenças nucleares positivas funcionais.  A fase 3 corresponde ao final da terapia, com foco predominante no equilíbrio de ativação das crenças nucleares negativas e positivas funcionais. Nesta etapa, a metacognição, etapa onde o paciente é instigado a pensar de forma crítica sobre seu próprio modo de pensar ou cognição, é ensinada de forma explícita ao paciente.

Fonte: De-Oliveira, I. R. Terapia Cognitiva Processual – manual para clínicos. Porto Alegre: Artmed, 2016.

Para aprofundamento acesse o link abaixo:

domingo, 15 de setembro de 2019

Neurociência Cognitiva



A neurociência cognitiva é uma área acadêmica que se ocupa do estudo científico dos mecanismos biológicos subjacentes à cognição, com foco específico nos substratos neurais dos processos mentais e suas manifestações comportamentais. Se questionam sobre como as funções psicológicas e cognitivas são produzidas no sistema nervoso central. A neurociência cognitiva é um ramo tanto da psicologia quanto da neurociência, unificando e interconectando-se com várias outras subdisciplinas, tais como a psicologia cognitiva, psicobiologia, neuropsicologia e neurobiologia. Antes do desenvolvimento de tecnologias como a ressonância magnética funcional, essa área da ciência era chamada de psicobiologia cognitiva. Os cientistas que se dedicam a essa área normalmente possuem estudos baseados na psicologia experimental ou neurobiologia, porém podem vir de várias disciplinas, tais como a psiquiatria, neurologia, física, engenharia, matemática, linguística e filosofia

Os métodos empregados na neurociência cognitiva incluem paradigmas experimentais de psicofísica e da psicologia cognitiva, neuroimagem funcional, genômica cognitiva, genética comportamental, assim também como estudos eletrofisiológicos de sistemas neurais. Estudos clínicos de psicopatologia em pacientes com déficit cognitivo, constitui um aspecto importante da neurociência cognitiva. 


Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Neuroci%C3%AAncia_cognitiva

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Sobre suicídio e setembros amarelos



🎗Em janeiro João tinha toc, foi chamado de bobo.

🎗Em fevereiro Paula era bipolar, e a chamaram de doida.

🎗Em março Júlia tinha crises de ansiedade, e diziam para ela se focar no presente.

🎗Em abril Leandra tinha anorexia, e ouvia as pessoas rindo e falando dela.

🎗Em maio Maria teve síndrome do pânico, e disseram que era frescura.

🎗Em junho Paulo teve depressão, e foi chamado de fraco.

🎗Em julho Lucas descobriu a esquizofrenia, e disseram que era invenção da cabeça dele.

🎗Em agosto Daniel teve transtorno da personalidade borderline, e falavam que ele queria chamar atenção.

🤔Em setembro tudo ficou Amarelo, as pessoas começaram a entender todos os problemas e nos estenderam a mão, nos medicaram e postaram textos em suas redes sociais para nos apoiar.

🎗Porém em outubro continuaram a nos chamar de loucos, fracos, e diziam que nos faltava fé. "Sua vida é tão boa!", "Como pode reclamar?", eles diziam.

😔Em novembro Paulo se matou, "Mas era tão jovem!", "Era uma boa pessoa", porém tudo que queria era que todos os meses fossem amarelos também, que os julgamentos acabassem e que as pessoas realmente entendessem que os problemas psicológicos não são escolha nossa, e que nós precisamos de ajuda não só em setembro, mas em todos os meses.

🎗🎗🎗Então a partir de hoje faça o Setembro Amarelo ser presente em todos os dias do ano, pois agora mesmo você pode estar ao lado de um Paulo e não sabe.



Fonte: WhatsApp. Autor desconhecido.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

TDAH


O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é um transtorno de causas genéticas, com comprometimento neurobiológico, que aparece na infância e comumente acompanha o indivíduo nas demais fases do desenvolvimento. É caracterizado por sintomas de desatenção com prejuízos funcionais de tarefas; hiperatividade refletido em comportamentos de excesso de inquietação, distração; impulsividade presente em baixa capacidade de controle dos impulsos, autocontrole e déficit nas habilidades sociais. Quando o transtorno existe de fato, há comprometimentos dos aspectos emocionais, relacionado com humor deprimido, sensação de fracasso, comprometimentos das relações interpessoais. Outro aspecto que pode ser comprometedor refere-se a autorregulação da atenção, da motivação e da ação que, quando presente dificulta a atenção seletiva, organização e planejamento, além da persistência na meta de objetivos.

Indivíduos com TDAH quando não cuidados adequadamente podem ter uma vida de sofrimento para si e sua família que pode ser poupada quando seus cuidadores buscam ajuda qualificada. É muito comum crianças em idade escolar demonstrar sintomas do transtorno, mas devido ao período de desenvolvimento infantil os cuidados devem ser psicopedagogicamente orientado a partir dos 7 anos de idade. A desinformação pode reforçar o preconceito com crenças de que é coisa de criança e passará. Observo e acompanho em minha experiência clínica muitos adultos que não foram devidamente acompanhados que sofrem sequelas em sua vida pessoal, amorosa e laboral.

Os profissionais envolvidos nos tratamentos são psiquiatras, neuropediatras, psicólogo(a)s, fonoaudiólogo(a)s, e psicopedagogo(a)s. Leituras de livros podem ajudar na psicoeducação: No mundo da lua por Paulo Mattos. Vencendo o TDAH Adulto por Barkley e Benton. TDAH e agora? Por Alexandra Belli dentre outros.