segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Aberto o IV Seminário Internacional de Teoria, Pesquisa e Prática Educacional da UESPI



Teve início o Seminário Internacional de Teoria, Pesquisa e Prática Educacional da Universidade Estadual do Piauí. Em sua quarta edição, o evento foi aberto ontem (03) com a apresentação do coral da UESPI, em solenidade realizada Centro de Ciências da Saúde. A abertura contou com a presença de professores e alunos de diferentes cursos da UESPI e de outras instituições.
O coral deu início à solenidade de abertura do evento
“Muito obrigada pela presença nesse que é um importante espaço para troca de experiências, conhecimentos e saberes na área de educação e de enriquecimento cultural também”, disse a diretora da Diretoria de Relações Internacionais (setor responsável pela organização do evento), Profa. Ma. Luciana Libório, ao abrir os discursos da mesa de abertura, que foi composta pela vice-reitora da UESPI, Profa. Dra. Bárbara Melo; pelo superintendente de Ensino da Secretaria de Estado da Educação e Cultura do Piauí, Carlos Alberto Pereira; pelo professor  visitante da Universidade Estadual de Nova York, Dr. Alfred Daniel Frederick. A pró-reitora de Ensino de Graduação da UESPI, Profa. Dra. Ailma do Nascimento; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da IES, Prof. Dr. Geraldo Eduardo Luz; o pró-reitor de Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários, Prof. Dr. Raimundo Dutra; e o Prof. Me., coordenador do curso de Inglês do PARFOR/UESPI, Antônio Francisco, também fizeram parte da mesa.
“O evento se constitui importante por vários motivos, mas o principal deles é exatamente a integração de discentes e docentes de vários cursos com professores de fora do Brasil, que desenvolvem atividades de pesquisa e extensão importantíssimas e que estão partilhando aqui”, destacou a vice-reitora Bárbara Melo.
pós a solenidade de abertura, foi a vez dos debates científicos, iniciados com a palestra do professor Albert, que tratou sobre desempenho acadêmico e justiça social através do ensino culturalmente relevante. A Profa. Ma. Maria Rita Py Dutra, da Universidade Estadual de Santa Maria – RS, encerrou as atividades do período da manhã com palestra sobre “Educação e Inclusão e a Política de Cotas nas Universidades”.
Professor Alfred deu início às palestras do primeiro dia, falando sobre desempenho acadêmico e justiça social através do ensino culturalmente relevante
O projeto social Afropeti, formado por crianças carentes da cidade de Campo Maior, e apoiado pela Secretaria de Assistência Social do município, se apresentou na abertura
A programação de hoje (4) vai até às 17h, com apresentações culturais e importantes palestras como a do professor Doutor da Universidade Estadual de Nova York, Harrison Hão Yang, com o tema “Aprender pela Visualização”. A programação do IV Seminário Internacional de Teoria, Pesquisa e Prática Educacional da Universidade Estadual se estenderá até a próxima sexta-feira, dia 5, com mais apresentações culturais, além de palestras e mesas-redondas para o debate de temas relacionados à educação inclusiva, tecnologias e direitos humanos. Cerca de 300 pessoas são esperadas até o último dia de evento, segundo a organização.
Confira a programação completa
Esse será o último ano do Seminário idealizado pelo professor visitante Alfred Daniel Frederick, como parte das atividades que exerce na UESPI. O evento vem sendo realizado desde o ano de 2013. O professor falou sobre o legado educacional que deixou na UESPI. Um dos trabalhos desenvolvidos por ele trata sobre a adaptação curricular para a melhor inclusão de alunos de diferentes classes sociais, orientações sexuais e etnias. “Eu fiz um trabalho que eu acho necessário, falando sobre educação em populações diferentes. Os currículos devem ser implementados e desenvolvidos para contemplar os estilos de aprendizagem dos alunos, porque qualquer sala de aula é diversa não somente em relação à etnicidade, mas também à classe socioeconômica, orientação sexual, etc. O professor deve ser uma pessoa que olha todos os alunos como pessoas capazes”, destacou Alfred Daniel.

Link da matéria completa:

Fonte:
Assessoria de Comunicação - UESPI
ascom.uespi@gmail.com
(86) 3213-7398

domingo, 19 de junho de 2016

Memória e Psicoterapia - É possível extinguir uma memória?



Há séculos que psicólogos e psiquiatras tentam compreender a funcionalidade dos processos psicológicos como a memória, atenção, percepção, inteligência, consciência, inconsciência dentre outros.... Ao longo desse tempo, inúmeras teorias foram criadas, mantidas e/ou refutadas até nossa contemporaneidade. Entender como esses estudos se desenvolveram requer um mergulho especializado que não se encerra com um artigo de divulgação como os aqui citados ou qualquer livro isolado, mas estudar e pesquisar de forma séria esses fenômenos no binômio teoria e prática.
Em relação ao estudo da memória e sua relação com a psicoterapia e a funcionalidade do cérebro sugiro leitura dessa lúcida entrevista concedida pelo neurocientista Ivan Izquierdo a Folha de São Paulo em junho de 2016, por ventura do Congresso Mundial do Cérebro, Comportamento e Emoções em Buenos Aires. 

Clique no link abaixo e boa reflexão!

domingo, 29 de maio de 2016

Animais não humanos têm consciência?



Ampliando nossa discussão iniciada nesse blog sobre a mente, venho agora expor uma reflexão de um tema mais complexo de ser investigado cientificamente que é a consciência humana ou melhor especificado aqui a consciência em animais não humanos. Boa leitura e ótima metacognição! O texto abaixo é extraído na íntegra do Instituto Humanitas Unisinos.


Publicamos aqui Declaração de Cambridge sobre a Consciência em Animais Humanos e Não Humanos, escrita por Philip Low e editada por Jaak Panksepp, Diana Reiss, David Edelman, Bruno Van Swinderen, Philip Low e Christof Koch.

A declaração foi proclamada publicamente em Cambridge, Reino Unido, no dia 7 de julho de 2012, na Francis Crick Memorial Conference on Consciousness in Human and non-Human Animals, no Churchill College, da Universidade de Cambridge, por Low, Edelman e Koch.

O texto foi assinado pelos participantes da conferência na presença de Stephen Hawking, na sala Balfour do Hotel du Vin, em Cambridge.

A declaração foi publicada no sítio da Francis Crick Memorial Conference (fcmconference.org). A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Neste dia 7 de julho de 2012, um proeminente grupo internacional de neurocientistas, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e neurocientistas computacionais cognitivos reuniu-se na Universidade de Cambridge para reavaliar os substratos neurobiológicos da experiência consciente e comportamentos relacionados em animais humanos e não humanos.

Embora a pesquisa comparativa sobre esse tópico seja naturalmente dificultada pela inabilidade dos animais não humanos, e muitas vezes humanos, de comunicar clara e prontamente os seus estados internos, as seguintes observações podem ser afirmadas inequivocamente:

- O campo da pesquisa sobre a consciência está evoluindo rapidamente. Inúmeras novas técnicas e estratégias para a pesquisa com animais humanos e não humanos tem se desenvolvido. Consequentemente, mais dados estão se tornando disponíveis, e isso pede uma reavaliação periódica dos preconceitos previamente sustentados nesse campo. Estudos com animais não humanos mostraram que circuitos cerebrais homólogos, correlacionados com a experiência e à percepção conscientes, podem ser seletivamente facilitados e interrompidos para avaliar se eles são necessários, de fato, para essas experiências. Além disso, em humanos, novas técnicas não invasivas estão prontamente disponíveis para examinar os correlatos da consciência.

- Os substratos neurais das emoções não parecem estar confinados às estruturas corticais. De fato, redes neurais subcorticais estimuladas durante estados afetivos em humanos também são criticamente importantes para gerar comportamentos emocionais em animais. A estimulação artificial das mesmas regiões cerebrais gera comportamentos e estados emocionais correspondentes tanto em animais humanos quanto não humanos. Onde quer que se evoque, no cérebro, comportamentos emocionais instintivos em animais não humanos, muitos dos comportamentos subsequentes são consistentes com estados emocionais conhecidos, incluindo aqueles estados internos que são recompensadores e punitivos. A estimulação cerebral profunda desses sistemas em humanos também pode gerar estados afetivos semelhantes. Sistemas associados ao afeto concentram-se em regiões subcorticais, onde abundam homologias neurais. Animais humanos e não humanos jovens sem neocórtices retêm essas funções mentais-cerebrais. Além disso, circuitos neurais que suportam estados comportamental-eletrofisiológicos de atenção, sono e tomada de decisão parecem ter surgido evolutivamente ainda na radiação dos invertebrados, sendo evidentes em insetos e em moluscos cefalópodes (por exemplo, polvos).

- As aves parecem apresentar, em seu comportamento, em sua neurofisiologia e em sua neuroanatomia, um caso notável de evolução paralela da consciência. Evidências de níveis de consciência quase humanos têm sido demonstradas mais marcadamente em papagaios-cinzentos africanos. As redes emocionais e os microcircuitos cognitivos de mamíferos e aves parecem ser muito mais homólogos do que se pensava anteriormente. Além disso, descobriu-se que certas espécies de pássaros exibem padrões neurais de sono semelhantes aos dos mamíferos, incluindo o sono REM e, como foi demonstrado em pássaros mandarins, padrões neurofisiológicos, que se pensava anteriormente que requeriam um neocórtex mamífero. Os pássaros pega-rabuda [1] em particular demonstraram exibir semelhanças notáveis com os humanos, com grandes símios, com golfinhos e com elefantes em estudos de autorreconhecimento no espelho.

- Em humanos, o efeito de certos alucinógenos parece estar associado a uma ruptura nos processos de feedforward e feedback corticais. Intervenções farmacológicas em animais não humanos com componentes que sabidamente afetam o comportamento consciente em humanos podem levar a perturbações semelhantes no comportamento de animais não humanos. Em humanos, há evidências para sugerir que a percepção está correlacionada com a atividade cortical, o que não exclui possíveis contribuições de processos subcorticais, como na percepção visual. Evidências de que as sensações emocionais de animais humanos e não humanos surgem a partir de redes cerebrais subcorticais homólogas fornecem provas convincentes para uma qualia [2] afetiva primitiva evolutivamente compartilhada.

Nós declaramos o seguinte: "A ausência de um neocórtex não parece impedir que um organismo experimente estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos de estados de consciência juntamente como a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos".
Notas da IHU On-Line:
1 - A pega-rabuda ou pega-rabilonga (Pica pica) é uma ave da família Corvidae (corvos). A pega-rabuda é comum em toda a Europa, Ásia, Norte da África e América do Norte.
2 - Qualia (plural de quale) é o nome que se dá na filosofia da mente para as qualidades subjectivas das experiências mentais, como a experiência pessoal das cores, da sensação de ouvir música, dos odores, das dores etc. Alguns filósofos não fazem uma distinção forte entre qualia e consciência. Os qualia são subjetivos e privativos à pessoa individual.


Fonte: Instituto Humanitas Unisinos em 31/07/2012.
(http://www.ihu.unisinos.br/noticias/511936-declaracao-de-cambridge-sobre-a-consciencia-em-animais-humanos-e-nao-humanos).