Eleonardo Rodrigues
O que pode ser feito para
evitar conflitos entre casais, o segredo pode estar na parceria?
Primeiro, é bom lembrar que a pandemia
do COVID-19, veio dar uma sacudida em vários aspectos da vida humana no
planeta.
O isolamento social forçou os
casais a conviverem 24 horas por dia e sete dias por semana. Clinicamente,
observamos maior número de relatos de conflitos entre os casais nos fins de
semana, quando tem mais tempos de convivência.
Para os casais que se propõem a
crescerem, essa é uma grande oportunidade, caso contrário, rupturas de
relacionamentos podem surgir para os casais que não estão dispostos a enfrentar
seus conflitos pessoais que atrapalham a união do casal e família.
Curiosamente, essa quarentena
pede uma reavaliação de nossos relacionamentos, incluindo quem sabe uma
renovação dos votos matrimonial.
A parceria mediada por um diálogo
de alto nível é fundamental.
Neste momento, estamos todos
sob estresse e vulneráveis pelas mudanças de rotina. O diálogo e o bom senso, podem
ajudar?
Sim, o diálogo é fundamental.
Sugiro um diálogo de alto nível que consiste na capacidade de identificar os
reais motivos das discussões recorrentes, distinguindo das situações pontuais
que servem de gatilhos ou gota d’água para explosões emocionais e conflitos,
por vezes chegando até em violência doméstica!
Não devemos esquecer que
relacionamento de casal é a dois e que a individualidade saudável também deve
ser preservada. Portanto, os dois devem partilhar e compartilhar afetos, projetos
sonhados, deveres, direitos, conflitos e principalmente o amor.
É importante o casal
estabelecer um horário para falar de seus conflitos e criar a regra de que cada
um terá tempo de falar, por mais que seja inquietante. Não há necessidade de
falar o tempo todo em situação nadas favoráveis, por exemplo, quando um dos cônjuges
está tomando banho, fazendo sua devida atividade, cuidando da criança, idoso,
etc.
As atribuições domésticas não
devem ter gênero?
Não!
Os afazeres domésticos são atribuições
do casal e compartilhadas de acordo com as normas de cada família. É importante
rever valores negativos de nossa família de origem que estejam dificultando a
relação atual. O contexto mudou, mas o bom senso sempre deverá permanecer!
Criar as melhores condições de
um ambiente familiar harmônico, depende do esforço do casal e demais membros da
família. É pedagógico saber opinião das crianças e demais membros que compõem a
família.
Quando o casal não planeja sua
trajetória, estão fadados há vários problemas. Um deles é a intensidade das
emoções negativas como raiva, ódio, irritabilidade que podem ativar
comportamentos agressivos que têm como pano de fundo pensamentos muitas vezes
distorcidos, muitas vezes comprovados quando a poeira da intensidade emocional
passa e reconhecemos que exageramos. Portanto, é importante gerenciar nossas emoções,
pois elas são nossas e não ao contrário! Conte até 3, respire fundo, saia temporariamente
do ambiente, reconheça seu exagero e erro, seja humilde. Muitas vezes as emoções
ativam nosso instinto primitivo de proteção.
Se a crise persistir pós
pandemia, muitas vezes como reflexo do que estava acontecendo antes da expansão do
coronavírus, procure ajuda profissional para si ou para o casal. Hoje temos
vários serviços de psicologia tanto nas redes públicas e privadas como nos
serviços escola de psicologia espalhados por todo Brasil.
O afeto, o companheirismo e o
amor nos mostram que nesse momento de crise mundial, são bálsamos para nossa
saúde mental.
Assista abaixo a reportagem do
dia 24 de abril de 2020, no programa Bom Dia Piauí da TV Clube sobre esse tema:
Casais relatam os desafios de
convívio apresentados pelo isolamento social.
Fonte: Tv Clube do Piauí. Portal G1.